quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Belezas desbravadas

Ouço um riso, ouço um soluço.

Não há nada de anormal, essas coisas geralmente se confundem.

O máximo é demais, e mata aos poucos.

Belezas são desbravadas, arranhadas.

Falta a delicadeza de quem contempla o todo.

A perfeição esconde-se nas rachaduras imperfeitas.

E a melhor explicação está naquilo que não se explica.

O frio passou e deixou lembranças.

Foi tão bonito esse passeio.

Cada pulsar no peito foi valioso.

Na coreografia da vida, nossa dança foi espetáculo privativo, só nosso.

E quem disse que algo para além disso era necessário?

Em meu canto, expresso na língua, uma canção com gosto de café.

Procurei respostas em cada canto do universo.

Encontrei no último lugar em que pensei revisar.

Dentro de mim mesmo.

Assim, com minhas lacunas certeiras, com minhas indefinições definitivas.

Tudo que eu precisava era não precisar, era deixar-me levar.

As ondas sabem para onde nos levam.

Quando cheguei, sorri como um tolo, deixei-me banhar pela luz do sol.

E pude então fechar os olhos para descansar.

6 comentários:

Alice Twins disse...

R: E quando os poucos que você tem moram em outra cidade e estado? E raramente vejo e em relação a sair será cada um mês e olhe lá. Gostaria de ter amizades na minha cidade, mas não sou uma pessoa que faz amizades facilmente.

Obrigada, Bruno. :*

Tão lindo este poema. ^^

Um beijo,



Bruno Mello Souza disse...

Claro que dificulta, que está longe de ser a mesma coisa que a presença física, mas tem modos de se manter em contato, amenizar a distância. Existe o Facebook, o Whatsapp, e outras ferramentas.

O mais importante é não se sentir na obrigação de fazer amizades, ou procurar amizades forçadas, só pra não se sentir sozinho. As pessoas que tiverem que estar do teu lado e se aproximar, tenha certeza, se aproximarão.

Beijo pra ti, e fique bem.

cleuza disse...

Belo poema, realmente nossa felicidade não depende de ninguém a não ser de nos mesmos.
Muitas vezes é no meio de uma multidão que nos sentimos mais sós, bj

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado pelo comentário, dinda.

Beijo.

Gracita disse...

Olá Bruno
Acho que a pior solidão é aquela que nos acomete quando estamos cercados de pessoas e não conseguimos interagir. Sentimo-nos uma ilha no meio do oceano
Nossa felicidade só depende de nós. É preciso extrair de cada momento o que ele nos propicia de felicidade. Parabéns pelo belíssimo poema
Tenha um dia feliz
Um abraço

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado, Gracita.

Um ótimo dia pra ti também.

Abraços.