segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Seguindo a brisa

Meus pés estavam cansados de caminhar sem direção.

Resolvi escutar o que as folhas tinham a dizer.

E segui a direção da brisa.

Brilhe para mim, sorria enquanto me olha.

A estrela que me guia não some nem mesmo quando a noite está cheia de nuvens.

Não somos nada, mas já fomos tantas coisas.

Sempre tento me esconder quando estou distraído.

Talvez todos sejamos meio idiotas em horas como essas.

Então eu sigo a brisa.

E quero o lugar para onde ela me levar.

domingo, 30 de agosto de 2015

Visões

Era tarde quente de verão, eu estava entediado.

Saí para a rua para ver. Não para olhar. Para ver. De verdade.

Por trás de cada máscara, pequenas e grandes dores. Mas quem era eu para definir se uma dor era grande ou pequena?

A cada passo, uma tremenda descoberta.

Eu vi muitas coisas.

Vi um homem que carregava nos olhos a dor da filha internada no hospital.

Vi a garota que sofre todos os dias no colégio por ter as pernas tortas.

Vi o rapaz apaixonado, invisível para quem ele ama, martirizando-se com sua capa.

Vi a senhorinha que não consegue mais acertar a quantidade de sal na comida.

Vi o velho que não entende a ausência do filho, o desprezo dos netos.

Vi o vendedor de mandolates suado, atucanado com a luz que fora cortada de sua casa.

Vi a mulher que suporta os desaforos do marido e bebe whisky às escondidas para amenizar a existência.

Vi o sujeito que se sente um lixo por passar de porta em porta e não encontrar um emprego.

Vi a princesa por baixo das espinhas que a fazem chorar em frente ao espelho.

Vi no cara tatuado dos pés à cabeça o desconforto de mais um dia de agonia disfarçada de revolta.

Vi no executivo de sapatos chiques e bem lustrados a vontade febril de estar de chinelos.

Vi o jovem frustrado, que marcou um encontro e não encontrou ninguém, nem a si mesmo.

Vi na repórter dinâmica e bem sucedida a solidão de uma noite acompanhada de uma garrafa de vinho.

Vi gente que se deixa pisotear.

Vi gente que sobrevive de migalhas.

Vi gente que perdeu seu próprio eu em alguma esquina sem graça.

Vi gente que diz amar, amar, amar, amar, amar, amar, a tudo e a todos, até que o amor se transforme numa massa disforme, sem gosto ou cheiro. 

Vi gente que tem um único amor, sagrado e valioso bibelô, que não tem o direito de amar. 

Vi gente que se desculpa apenas para ter uma desculpa.

Vi gente que confunde dinheiro com riqueza.

Vi gente que confunde querer com desejar.

Vi gente que confunde a si mesma, metida num labirinto maluco para a diversão alheia. 

Vi gente que confunde não-morte com vida.

Em cada sofrimento, pequeno ou grande, desconexo ou idêntico, tão outro ou tão próximo, vi um pouco de mim mesmo. 

Eu me corto

Suas energias vão embora pela chaminé de casa.

Horas e horas são passagens em branco, nada acontece.

Nosso tempo se esgota sem que tenhamos nascido.

O sol queima, transforma todos os anseios em cinzas.

A solidão é medo constante, e você perde sua vida com aquilo que não quer.

E a verdade é que qualquer coisa teria o mesmo efeito.

Velhos manequins mal vestidos nunca tiveram vontade própria.

Suas expressões jamais mudarão.

Eu, aqui, com minhas entranhas expostas, não sou igual.

Talvez essa gente não esteja preparada para isso.

Carinho pedido, caminho perdido.

Agora o caminho pedido tornou-se apenas carinho perdido.

Eu me corto, eu respiro.

Eu me corto, eu me machuco.

Eu me corto, eu me dobro.

Eu me corto para me tornar inteiro.

Eu me corto para não ter o que dizer.

Eu me corto, porque sou tubos, e carnes, e bolsas, e vísceras.

Eu me corto para que você possa ver que funciono perfeitamente.

Eu me corto porque sou a imperfeição em estado puro.
  

sábado, 29 de agosto de 2015

Flores mortas

Na mesa do bar, no meio da rua.

Na pista de dança, no pátio da escola.

No corredor do shopping, na frente do edifício.

Na parada de ônibus, no quarto cor-de-rosa.

Na casa de praia, no sofá da sala.

No quarto de hotel, na tela fria do computador.

No pico da montanha, no meio da multidão.

Na cama de casal, na folha cheia de palavras que nada dizem.

Na madrugada promissora, no torpedo do celular.

Na beira do rio, na padaria, com croissant e café com leite.

São tantos os amores esquecidos em gavetas, recordações em papel amarelado.

São tantas as flores que morreram, em buquês jogados em latas de lixo.

São tantas as vidas e histórias, de gente que cai e sofre, mas insiste em desistir de desistir...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Plenitude

Após o longo sono, eu desperto.

Encho o peito, estou mais forte do que nunca.

Tudo flui, o fardo pesado tornou-se pluma.

E a vontade, essa vontade de seguir, me faz dar um passo após o outro, decididamente.

A luz me beija, me faz olhar para o milagre.

O sorriso se abre sem esforço, e as flores se abrem nas ruas.

As crianças correm, os velhinhos andam com suas bengalas.

Nada dói, estou entregue ao canto dos pássaros, ao algodão doce que colore, ao verde da grama que me abraça. 

O azul do céu, tão puro, me eleva.

A chama da vida aquece meu interior,

E todas as coisas ruins do caminho se evaporam, se desmancham.

Não há necessidades nessa plenitude.

Ficou a certeza inabalável de que tudo dará certo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Belezas desbravadas

Ouço um riso, ouço um soluço.

Não há nada de anormal, essas coisas geralmente se confundem.

O máximo é demais, e mata aos poucos.

Belezas são desbravadas, arranhadas.

Falta a delicadeza de quem contempla o todo.

A perfeição esconde-se nas rachaduras imperfeitas.

E a melhor explicação está naquilo que não se explica.

O frio passou e deixou lembranças.

Foi tão bonito esse passeio.

Cada pulsar no peito foi valioso.

Na coreografia da vida, nossa dança foi espetáculo privativo, só nosso.

E quem disse que algo para além disso era necessário?

Em meu canto, expresso na língua, uma canção com gosto de café.

Procurei respostas em cada canto do universo.

Encontrei no último lugar em que pensei revisar.

Dentro de mim mesmo.

Assim, com minhas lacunas certeiras, com minhas indefinições definitivas.

Tudo que eu precisava era não precisar, era deixar-me levar.

As ondas sabem para onde nos levam.

Quando cheguei, sorri como um tolo, deixei-me banhar pela luz do sol.

E pude então fechar os olhos para descansar.

Prossiga

Os olhos insistem em fechar.

Mas persista, seja mais forte.

As horas passam, os dias passam.

Você chega.

Prossiga.

Veja.

Seja.

No final, terá valido a pena.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Palavras escondidas

As paredes não têm respostas, luzes apagadas nada têm a dizer.

Tudo que transborda é desmedido, inevitável.

Deixe-me tirar de sua frente tudo que lhe impede de ver.

Quando olho para os lados, queria dizer que te amo.

Quando baixo minha cabeça, queria estar agradecendo.

Tantas são as pessoas que amam aquilo que lhes odeia.

Tantas são as pessoas que desprezam aquilo que lhes ama.

Nosso silêncio tem muitas palavras escondidas.

É um idioma que poucos sabem interpretar.

E a vida vai se ressecando, atropelando nosso tempo.

O movimento constante não dá espaço para a contemplação da dor.

À frente, está uma estrada que se percorre sozinho, sem ilusões.

Não há mais um minuto sequer.

Não, não há amor que se mantenha aceso no vácuo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Agradecimento silencioso

Seu rosto cansado sofre debaixo do sol.

Como poderia não reconhecer essa luta?

Cada dia é uma nova guerra, você sempre vence.

Como poderia não me orgulhar desse triunfo?

Mas quando estou voando, você me diz que não tenho asas.

Tolices bem intencionadas estão matando as pessoas lá fora.

Eu paro para agradecer em silêncio.

Faço isso o tempo todo.

Quando me perco e me encontro, fico contente.

Mas não faço mais do que minha obrigação.

Do meu caminho, não sei.

Mas confie que chegarei e andarei enquanto tiver pés.

Você pode não saber, mas já andei por muitos lugares escuros.

E nunca houve nada fácil, eu sei bem.

Estive em outro mundo, eu aprendi a sobreviver.

E gostaria que isso valesse alguma coisa antes que você olhasse de lado.

Podemos ser mais que este desdém involuntário.

Enfrentei fantasmas e monstros apenas com meus punhos.

E gostaria de mostrar o quanto fiquei mais forte.

Porque eu sei que você quer o melhor.

E eu sei que você faz o seu melhor.

domingo, 23 de agosto de 2015

O céu de todas as coisas

Tudo está bonito, você não percebe a dor ao seu redor.

O canto dos pássaros inspira, abafa os gritos ao fundo.

Lindas são suas palavras, esperando pelos aplausos hipócritas, justificando uma ausência,

As coisas estão bem enquanto todos fingimos que isso faz algum sentido.

Voam as coisas que você ama, as coisas que você esquece.

Mas você ama tudo, esquece tudo.

E o céu de todas as coisas agora se confunde com o limbo e o inferno.

É assim que tudo se torna igual, que cada coisa se torna somente mais uma coisa.

Não há como satisfazer anseios assim, nunca haverá.

E o mundo continuará seu teatro sem fim, cheio de personagens sem sangue.  

Gente cega, que só enxerga o que quer.

Gente surda, que só ouve o que interessa.

Gente muda, que só fala o que os outros gostam de ouvir.

sábado, 22 de agosto de 2015

O absurdo caso de Caxias do Sul

O caso da tentativa de homicídio de Jô e Maílson, do Juventude, é dessas coisas de fazer parar e repensar toda a humanidade (leia aqui).

O que faz um idiota pensar que tem o direito de atentar contra a vida de uma pessoa porque ela supostamente fez "atos provocativos" durante uma partida de futebol?

E mais: que vida medíocre tem um sujeito desses para conferir importância tão desproporcional quanto uma provocação para uma bobagem como o futebol (sim, amo o futebol, mas como lazer, não como sentido final para minha vida)?

Agora, os dois atletas estão determinados a deixar o Juventude, por medo da situação.

Justo, justíssimo. Eu faria o mesmo.

Mas ao mesmo tempo, bate a triste melancolia, a constatação amarga de que os imbecis, os selvagens, os desprovidos de massa encefálica, venceram mais uma partida no jogo da vida.

É a banalização final do crime, da vida humana, do respeito ao espaço do próximo.

A sociedade é refém. As pessoas que nada devem, que sabem conviver em civilização, têm de viver amedrontadas em suas casas, numa espécie de regime de "prisão domiciliar". 

Os marginais? Bem, estes estão livres, leves e soltos para tocar o terror.

Parece que a velha máxima "O crime não compensa" está cada vez mais anacrônica, démodé.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Pior que os piores

Mãos cheias de pó, um sopro leva tudo.

Não há mais nada para dizer ou gastar.

Nada que você faça será suficiente.

A miséria é louvada, alguma culpa será encontrada.

O que você faz está abaixo da escuridão.

Pior que os melhores, pior que os piores também.

Comida podre parece saborosa, mas o que você faz eles dizem que apodreceu.

Talvez seja melhor perder.

Talvez na lama você enriqueça.

Porque eles nunca entenderão.

Eles nunca estarão satisfeitos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O que te dói?

O que te dói?

É o atraso, o esquecimento?

É o coração, o sentimento?

O que te dói?

É a cabeça, o braço, o joelho ou o cotovelo?

É a alma, o espírito, a angústia, a miséria?

O que te dói?

É o ontem, o hoje, o amanhã?

É o amor perdido, o amor partido, o amor não vivido?

O que te dói?

O que te arde?

O que te esmaga?

O que te mata em microprestações, dia após dia?

O que te dói?

Que remédio posso te dar?

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Viajante interestelar

A pele arrepia.

Queima.

Vou me gastando, sem me desgastar.

O laço perfeito envolve.

Cada poro é um universo.

E viajo por entre as estrelas.

Sem querer voltar.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Tão bonita

Você é tão bonita, eu paro para lhe olhar.

Você é tão bonita, eu preciso lhe admirar.

Você é tão bonita, mas o vento leva suas pétalas.

Você é tão bonita, mas fico sozinho sem ter o que fazer.

Você é tão bonita, aspiro seu perfume.

Você é tão bonita, lhe guardo em minha memória.

Você é tão bonita, mas quando chove não há abrigo.

Você é tão bonita, mas os dias sempre anoitecem.

Você é tão bonita, e em suas cores encontro o sentido de tudo.

Você é tão bonita, e quando me deito na grama ao seu lado, fico feliz.

Você é tão bonita, mas não posso mais me cortar.

Você é tão bonita, mas preciso ir embora.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Passos desperdiçados

De quantas portas você se aproximou para logo se afastar?

Quantos números você começou a discar para recolocar o telefone no gancho?

Quantas cartas você começou a escrever, para depois amassar o papel?

Quantas vezes você olhou para a água e não mergulhou?

Quantos canais você trocou na no compulsivo des-controle remoto por pura força do hábito?

Quantas vezes o mundo esteve em suas mãos sem que você o fizesse parar?

Quantas alegrias não foram vividas, quantas dores não foram sentidas?

Quantos passos foram desperdiçados?

Quem você seria hoje, como estaria agora?

domingo, 16 de agosto de 2015

Reembolso

Tic-tac, tic-tac, o frenesi mecânico virou silêncio.

O relógio quebrou.

O tempo não parou.

Mas eu fiquei esperando.

Envelheci.

Olho para trás, apenas o deserto da areia da ampulheta.

Me deixei levar pela insanidade da não-vida

Cada minuto é um bem valioso.

E não há reembolso.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Falando sozinho

O uso que se faz disso geralmente é desprezível.

Tanta gente hoje não sabe ser gente.

Algumas verdades são desonestas, e nem sempre as mentiras são sinceras.

Seu lugar é só seu, então porque tenho de dividir o meu?

O tempo é rarefeito para tudo que se quer, para tudo que não se pode ter.

A aproximação é o preâmbulo da repulsa.

Um discurso é fantasia, as práticas são mais ressecadas.

Porque tudo que você faz comigo, você faz com outros.

Mas nem tudo que você faz com outros, você faz comigo.

É o vazio de significados que preenche essas vidas que flutuam pelas ruas fétidas.

Encenações servem para manter, mas nunca servem para ir além do que somos.

Na onda imensa, sou mais um.

E eu sempre detestei ser mais um.

Horas se afastam, e você nem sequer pode se lembrar que estou aqui.

E eu sempre soube o quanto isso é ridículo.

Não há qualquer importância nisso.

Estou apenas falando sozinho.

Não me ouça, por favor.

Não me veja, por favor.

Não diga nada, não diga nada.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O ator e a garrafa

As luzes se apagam, os aplausos se fazem ouvir, você se retira.

Fez-se dono de tudo, centro das atenções.

Fez rir e chorar, foi o sentido de tudo.

Agora, na mesa do boteco, é mais um entre tantos solitários.

O brilho que sobrou é o amarelo da cerveja.

Tão dono de si sob os holofotes, agora você é um cão sem dono.

O coração dói, arranque-o, faça-o aperitivo.

Abrace a silhueta da garrafa, feche os olhos, volte a si mesmo.

Em suas casas, as pessoas da plateia ainda sentirão o gosto das suas palavras e gestos.

Como uma estrela morta há milhões de anos, você ainda ilumina, mesmo já tendo se apagado.

Em sua casa, você dormirá sozinho mais uma vez.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O homem que não se machuca

O homem que não se machuca se jogou do alto do edifício.

Ele não sangra mais, nem sente dor.

O homem que não se machuca vaga pelas ruas à noite.

Apenas mais uma vez ele volta sozinho.

O homem que não se machuca corta a pele, não tem nada a perder.

Já não consegue fazer isso sem manifestar um ar blasé.

Talvez ele seja humano demais.

Talvez ele seja um grande aprendiz.

Talvez ele seja o ardor que, de tão forte, nem se sente mais.

E nem sente mais.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sonhar é para os fortes

Sussurros para o travesseiro nunca são ouvidos.

Um olhar pode ser redenção ou desesperança.

Porque suas esperanças nascem para morrer logo em seguida.

Sonhar é para os fortes, e hoje me sinto tão fraco.

Talvez você não compreenda minha angústia.

Talvez a revolta seja uma interrogação, ou uma resposta oculta.

Sorrisos podem ser corrosivos, eles podem invadir uma alma.

E que corações são esses que não conseguem perceber que estão errados?

Amores transbordam e apodrecem no chão.

Palavras não aquecem a noite, nem abraçam quando se está sozinho.

Palavras não beijam, tampouco acariciam estes espíritos desamados que buscam seu lugar no mundo.

Palavras não amam, apenas expressam ou desexpressam.

Há pressa para quem vive, antes que em qualquer esquina tudo se acabe.

E quando a dor será dádiva?

Avise-me quando o amor for mais que uma espera por nada.

domingo, 9 de agosto de 2015

Esquecimentos

Todas as horas e dias são iguais nessa espera interminável.

Fui esquecido por aqui, e me esqueço de tudo que faço.

Talvez eu seja o culpado, talvez eu não tenha mais serventia.

Hoje sou incômodo e incompreensão.

Não sei como, mas ainda amo, ainda choro quando anoitece sem que ninguém me busque.

A comida não tem gosto, sou mais um estranho.

Tantos aqui são iguais, vidas em suas contagens regressivas.

Não há afago ou calor para nossas mãos tão frias.

Nenhuma carta é destinada a mim.

No toc toc da porta, meus olhos brilham e logo se apagam.

É apenas a hora do remédio que não me lembrei de tomar.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Simultaneidade

Daqui de cima, observo a imensidão da cidade, o interminável de prédios, casas, ruas e passagens.

Olhando para tudo isso, vislumbro o inacreditável caldeirão de pessoas, seus momentos, suas emoções.

Nesse exato instante, nessa vastidão pequenina pela janela, quantos estão rindo?

E quantos estão chorando?

Quantos estão brincando?

E quantos estão brigando?

Quantos estão com o coração pulando de amor?

E quantos estão com o coração partido de dor?

Quantos estão saboreando a existência?

E quantos estão apenas mastigando-a, engolindo-a?

Quantos estão realizando um sonho?

E quantos estão mergulhados em seu pior pesadelo?

Quantos estão esperando no leito da morte?

E quantos estão bebendo o leite materno?

Quantas coisas, daqui tão pequenas, mas tão grandiosas, estão acontecendo lá embaixo nesse preciso segundo?

Vidas, tantas vidas!

Vidas, quantas vidas!

Vidas, extraordinárias banalidades!

Vidas, ínfimos milagres!

domingo, 2 de agosto de 2015

Presença constante

As horas passam, só encontro rostos estranhos.

Vou vivendo a repetição daquilo que nunca vivi.

Todas as coisas mudam, eu permaneço.

Atravesso as eras, sou presença constante.

E mesmo o que parece fácil torna-se desafiante.

Os passos são metódicos, eu me violento.

Caminho de encontro aos meus instintos.

Tenho que ir me abandonando para sobreviver.

E talvez isso seja o que todos façam.

Talvez isso seja o que todos precisam fazer.

sábado, 1 de agosto de 2015

Poderosa força

Somos o sol persistente entre as nuvens.

Somos a ruptura e a cola.

Somos a força que move montanhas e pára a correnteza.

Somos os quereres acumulados, os sonhos despertados.

Somos a luz e a escuridão, o som e o silêncio.

Somos a vida presente em cada dor.

Somos a poderosa força que ninguém ousou explicar.

Somos o preenchimento de todos os espaços não preenchidos.

Somos a soma de todos os afetos.