terça-feira, 7 de julho de 2015

Esquizofrenia sentimental

Há noites em que nenhum cobertor vence o frio.

E bato meus dentes esperando o amanhecer.

Há noites em que os sonhos são difíceis de sonhar.

E meus próprios enredos não me convencem de que haverá um final feliz.

Há noites em que o seu abraço é demasiadamente curto.

E eu gostaria de dormir em seu colo.

Há noites em que minha boca fica longe dos meus desejos.

E um suave toque poderia ser a minha salvação.

Há noites em que desnudo o que sinto, sem qualquer censura.

E deixo o peito doer, deixo o estômago arder.

Há noites em que penso em você, e penso, e penso, e quase enlouqueço.

E a solidão afoga as ilusões criadas por minha estupidez.

Há noites em que sua voz ecoa, seu olhar me consome, seu sorriso me tortura.

E descanso sem paz, atordoado por tudo que eu deveria arrancar do peito, sem anestesia.

Há noites em que sou todo o amor que não posso dar, escondendo meu rosto no travesseiro.

E sou refém desse flecheiro míope que erra, e erra, e erra, sempre e sempre.

Há noites em que sou eu mesmo, fecho o nariz, mergulho na insuficiência.

E sou o lamento silencioso de todos os amores asfixiados, jogados às moscas, devorados pelos vermes no chão destas ruas.

Há noites em que sou coadjuvante da minha própria vida, observando atos que esmagam meu coração, e pisoteiam minha alma.

E desperdiço meu tempo, choro e rio da minha própria cara, sofrendo com essa esquizofrenia sentimental, tão pura, tão perturbadora.

Porque sou todo o beijo não dado.

Sou toda a ausência de toque.

Sou todo o louco devaneio que virou pó.

Sou todo o amor desperdiçado.  

2 comentários:

CÉU disse...

Que texto doce e sensual!
Creio k, por vezes, nos podemos sentir, desse jeito, mas uma noite nunca é igual à outra.
Que venha logo esse amor e k traga esse beijo.

Beijos, querido Bruno!

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelas palavras, Céu! É sempre ótimo te receber por aqui.

Beijos!