segunda-feira, 29 de junho de 2015

Todas as sortes

Eis a sorte, uma luz que pisca numa fração de segundo.

É brilho rápido, quase imperceptível.

Entre meus dedos, a fuga.

Os momentos exatos passam.

Mas eles ficam registrados, num flash, para a eternidade.

Dor e deleite separam-se por centímetros.

E o que foi real por um átimo, torna-se delírio.

O absurdo existiu e teve vida.

Foi a invenção de um louco qualquer.

E quem se atreveria a dizer que loucuras são inexistências?

Está entre nós a perfeita engenharia desta anárquica mistura de cores, cheiros, texturas, imagens, sons e gostos.

E quem se atreveria a dizer que isso não tem sentido?

A mentirosa lucidez agora repousa sete palmos abaixo da terra.

Decidi ser todas as sortes, todo o caos, todos os sonhos.

Pois não esquecerei que, mesmo com os pés firmes no chão duro, estou voando pelo espaço, pertencendo a um todo interminável.

E isso não é um anseio, não é uma desconexão.

Minha insignificância me faz infinito.

E isso talvez seja um verdadeiro milagre. 

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