quinta-feira, 4 de junho de 2015

Pescados pela rede

Na tela, no tempo, na linha, ninguém me diz nada.

A celebridade mostra o corpo.

E todos querem ser celebridades.

Eles são o que comem, e levam isso a sério.

Por fora, sorrisos; por dentro, misérias.

Felicidades vazias só valem quando aplaudidas.

Opiniões irrelevantes sobre todas as coisas demarcam as regras.

Para além de pensar, precisam mostrar-se pensantes.

Que gente é essa, que acha que sabe de tudo?

Que gente é essa, que acha que me interesso pelo que diz?

Imagens, e imagens, e mais imagens, de tudo o que gostariam de ser.

Uma manada ovaciona, fingindo que elas realmente são.

Em algumas polegadas, tentam transparecer uma perfeição oca e desprovida de sentido.

Pescados pela rede, se debatem sem ar.

Num curto-circuito, tudo o que fazem pode morrer.

E então, sobra aquilo que são: o nada, despido da sua patética fantasia de tudo.

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