quinta-feira, 25 de junho de 2015

Falso prolongamento

O que foi é apenas uma vaga lembrança.

O que é, já não sabe.

Vê tudo.

Ouve tudo.

Mas já não tem vontade própria.

Está preso à degradação.

É um objeto abastecível e poluente.

Havia tanto por ser e sonhar.

Agora é essa estátua viva, sem hoje, sem amanhã.

Já não distingue horas ou séculos.

Sua vida virou uma tv, com uma programação repetitiva que não pôde escolher.

Apenas assiste ao seu desespero.

Não há outro canal.

Seu entendimento se esvai com o sono.

É um falso prolongamento material e orgânico.

Falta apenas desligar o interruptor e fechar os olhos.

Ele já morreu há muito tempo. 

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