quinta-feira, 18 de junho de 2015

Doce devaneio

Estamos à meia-luz.

Suficiente para que vejamos o brilho nos olhos um do outro.

São segundos que parecem horas.

Sem falar uma palavra, lemos tudo o que está dito, neste brilho, neste olhar que invade despudoradamente a alma alheia.

Então nos aproximamos.

Inclinamos levemente nossas cabeças.

Sinto sua respiração, ao mesmo tempo dócil e ofegante, tocar meu rosto.

E esse querer úmido e quente de nossas bocas e narizes vira a trilha mais intensa neste silêncio tocante.

Minha boca já está em sua pele.

Lentamente, escaneia cada traço e cada curva de seu rosto.

Não há pressa neste caminho que vou percorrendo.

Vou para lá e para cá, até que meus lábios encontram os seus.

Lábios sonhados, lábios tão sonhados!

Eles se tocam, e seu toque vira uma mordiscada.

Agora já estamos flutuando por aí.

E de cima, tudo o que nos atormenta torna-se menor.

Bocas levemente abertas, adentramos um ao outro.

Nossas línguas dançam, se entrelaçam, se acariciam, se entregam.

Nosso abraço aperta, e nos fundimos em um ser só.

Sinto seu coração pulsar, sincronizadamente com o meu.

Nos olhamos novamente, e você sorri.

O tempo está parado e curvado, em ato de solene reconhecimento, reverente a este momento único.

O sentimento floresce com todas as suas cores.

E volto a mim mesmo.

Você não está mais aqui, mas ainda sinto seu cheiro.

Estou, mais uma vez, rendido ao mais doce, belo e puro devaneio. 

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