sábado, 13 de junho de 2015

Desenho abstrato

Em um dia tão impreciso, tudo o que existe aqui é incerteza.

O papel que desempenhamos é tão leve e imperceptível.

Não posso parar para observar paisagem alguma.

Sou o vento que passa balançando as árvores.

Não sei o que serei amanhã.

Encaixo as peças de forma diferente, e crio um desenho abstrato.

Gosto da desconexão em relação à realidade imposta e tacanhamente compartilhada.

É ela que verdadeiramente diz aquilo que contenho em mim.

É nela que sou genuinamente único, criador de meu mundo.

A que recanto essa falta de domínio pode levar?

Peço aos céus o perdão pelo pecado do deleite.

Tão fugaz, tão determinante dos meus destinos.

Na multidão sem forma e sem cor, quero sentidos, significados, vida.

É tão humana essa vontade de ser alguém.

E é tão nobre esse desejo por desvencilhar-se da mediocridade que reina e mata sonhos verdadeiros.

Cada anônimo sem rosto que joga o jogo dessa mesquinhez sem fim é um carrasco de almas.

Mas não me vergo, não me entrego.

Sou mais do que o sangue que escorre pelo ralo.

Sou mais do que aquilo que dizem que sou.

E sou muito mais do que aquilo que dizem que devo ser.

2 comentários:

CÉU disse...

Que texto tão bem escrito e inteligente! Dá gosto ler e reler, Bruno!
Tu és tu e ninguém mais pode ser tu. Não te vergues, antes, EXIGE! Continua sonhando, pke você tem esse direito. Todo o mundo precisa de um lugar ao sol.
Agradeço teu doce/elogioso comentário em meu blogue.

Boa semana.

Beijos.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado, Céu!

É sempre ótimo te receber por aqui.

Beijos.