segunda-feira, 15 de junho de 2015

A dor de não ser mais o mesmo

As fotos são recordações geladas.

Das ruas em que vivi, daquilo que eu fui.

Estive em paz, apenas prorrogando o recomeço da minha guerra.

O sol era tão forte que ofuscava minha visão, mas não me importava.

Eu pensava que era importante, e que isso fazia alguma diferença.

Cada passo era cheio de vida e esperança.

Foi então que despertei, regressei e morri.

Paisagens são encantos, sonhos são apenas fugas.

Eu prometi muito a mim mesmo.

Eu pensei que o mundo me prometia algo de volta.

Uma aura dourada me acompanharia por onde eu fosse.

E isso me daria força para chegar a qualquer lugar.

Eu pensei que pertenceria a mim mesmo.

Eu pensei que havia algo para esperar.

De tão longe, estrelas mortas há muito tempo ainda brilham aos olhos.

Os fragmentos são cada vez menores, tento juntá-los, tento colá-los.

O ar leve virou peso em meus pulmões.

As boas novas já não são mais novidade.

E evaporaram mais rápido do que eu poderia imaginar.

Essa é a dor de não mudar nada quando se mudou tanto.

Essa é a dor de não ser mais o mesmo, vivendo as mesmas coisas de sempre.

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