segunda-feira, 4 de maio de 2015

Todo destino

Aviões, trens, ônibus, carros, motos e pés.

Tanta gente anda, para lá e para cá, e não tem rumo algum.

São moscas, e suas tarefas, o inseticida.

Ficam por aí tontas, entre círculos e zigue-zagues, atrás de comida, atrás de sentido para a vida.

Seus dias passam, e elas permanecem inertes e drogadas sob a falsa impressão de que avançam para algo.

E não sabem, no fundo não sabem, o que é este algo que perseguem, prisioneiras de um jogo perverso que leva sempre ao mesmo resultado.

Os destinos mudam, milhares ou milhões deles, todos os dias.  

As pretensas ordens e certezas não existem.

Todos são caos.

Eu, aqui de cima deste prédio, prestes a me jogar, observando tudo, também sou. 

As coisas estão no seu lugar?

Não, não estão, nunca estão.

Toda a beleza é medonha, toda a feiura é bonita.

Ainda há conflitos e dicotomias, e eles são fundamentais, ainda há os interesses...

Mas tudo isso é palco, é obra que se desenvolve, é enredo na avenida da existência.

Faltam os preenchimentos às lacunas, faltam respostas, mas o que há, há, e pode ser observado, pode ser respirado.

Falta libertar-se das amarras, das expectativas nossas e dos outros, do querer ser, e simplesmente ser, ser o que se quer ser, ser o que se pode ser neste exato momento. 

Sem forma, sem vasilha, apenas conteúdo, sentimento, aquilo que transborda, aquilo que se deseja.

Todos os quadros na parede são quadros na parede, todas as pinturas são pinturas, e não importa quem as fez, não importa como as fez.

Falta essa gente pintada de fora pintar-se, falta essa gente observada também observar, também colorir, falta sair do quadro, falta fazer o quadro que se quer.

Falta tão somente abraçar o agora, sem hora, sem barreiras, como o tempo que define todo o nosso destino, e todo o nosso destino está aqui, neste segundo.

E todo o meu destino está aqui, se ficar ou se cair, se me jogar ou desistir...

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