sexta-feira, 29 de maio de 2015

A criança e sua caixa

Uma criança e sua caixa.

É dia de sol ardente.

Janelas fechadas, escuras, não haveria como ser diferente.

O esforço das pequenas pernas é em vão.

Dos canos, a fumaça; da boca, a tosse.

Gomas coloridas não têm tanto valor. 

E as balas, elas nunca acabam.

Na volta para casa, a criança e sua caixa.

Já é noite, e sozinha em meio aos estampidos, ela corre.

Janelas fechadas, escuras, não haveria como ser diferente.

O esforço das pequenas pernas é em vão.

Nos canos, a fumaça; na boca, o sangue. 

Vidas acinzentadas não têm tanto valor.

E as balas, elas nunca acabam...

2 comentários:

CÉU disse...

Olá, Bruno!

Em seu poema, você retratou uma realidade, que nos magoa, mas que existe, infelizmente, no nosso mundo.
A imagem da criança, da sua caixa, das gomas coloridas e das balas dão tanta vida ao seu escrito, k está magnificente, embora fique em nós, em nosso coração, uma sensação de impotência.

Bom fim de semana.

Beijo, com muito carinho e apreço.

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Céu!

Muito obrigado pelo comentário. É sempre ótimo te receber por aqui.

Um beijo pra ti e bom fim de semana.