sexta-feira, 15 de maio de 2015

2 da manhã

Eram 2 da manhã, e ela despertou em desespero.

Abriu a gaveta do criado-mudo que ficava ao lado de sua cama, e lá não estavam as promessas.

Levantou-se e verificou o guarda-roupa, porta a porta: nem sinal de seus te amos.

Perturbada, foi ao banheiro, encheu o copo d'água e pegou seu vidrinho de felicidades: estava vazio.

"Que pesadelo é esse?", perguntou-se.

Foi à cozinha, e na geladeira, já não existiam doçuras, tudo havia azedado.

Parou, com as mãos na cabeça, e um tremendo e estranho pavor a fez regressar correndo ao seu quarto.

Ao olhar para a portinha aberta, não conteve o pranto.

Seu para sempre de estimação havia escapado da gaiola e fugido pela janela que ficara aberta.

Saiu para buscar, talvez, um ninho em que pudesse pousar, repousar, e se aquecer.

E ela ficou ali, sozinha, sentada na cama, engolida pelo vento frio.

E fez mais frio do que nunca naquela noite...

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