quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sobre mergulhar na própria alma

A alma guarda em si todo o universo.

O coração é o mundo.

É dentro de nós que encontramos todos os aprendizados realmente necessários.

Não é nada fácil mergulhar em si mesmo.

Dá até medo.

Porque dentro de nós podemos encontrar os lugares mais lindos, mas também podemos encontrar os becos mais escuros e assustadores.

De algum modo, vale a pena percorrer cada esquina de nós mesmos.

É assim que conhecemos nossos caminhos, nossos descaminhos, e é assim que podemos descobrir nossos próprios atalhos. 

É assim que passamos a experimentar as ruas que não levam a lugar algum, as avenidas que conduzem ao precipício, e as pontes que nos levam à paz, ao alívio de um bonito e perfumado campo florido.

Alguns usam sempre os mesmos e seguros caminhos para passarem por si mesmos no dia a dia.

Tornam-se previsíveis, pecam pela ignorância da riqueza de toda a sorte de possibilidades a que levam os mais diversos caminhos que o espírito pode percorrer em si mesmo.

Talvez sofram menos, confrontam menos percalços, certamente.

Mas perdem também a capacidade de surpreender-se com as belas e deslumbrantes paisagens que só uma atenta viagem interior pode proporcionar.   

Eu continuo passeando em mim mesmo.

Ainda sofro ao ver algumas de minhas misérias pela janela.

Mas também encho o peito de esperança quando passo por trechos bonitos.

Ainda persigo meu próprio Éden, o campo florido que seja meu, só meu, em que eu possa deitar, em que eu possa descansar, em que eu possa viver sem medo.

Se o encontrarei, não sei.

Mas sigo de olhos bem abertos pelo trajeto, observando minhas feiuras e preciosidades.

Sigo desfrutando o caminho. 

Sigo me conhecendo e passeando pelos meus medos, anseios e sentimentos.

Dá um tremendo frio na barriga.

Mas é bom e vale a pena.

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