quinta-feira, 12 de março de 2015

Paisagem banal

As garrafas estão jogadas sobre a mesa.

E o cigarro pela metade.

Ela voltou ao seu túnel interminável.

O apartamento está uma bagunça.

Mas tudo o que ela sente está exposto à mesma confusão.

Está sozinha consigo mesma, porque ele já foi embora.

Não queria perder o que nunca vai usar, ele sempre apareceu na hora que quis.

Só precisava dar umazinha, ela sabia.

Está gelada, não pode deixar de jogar.

Mas borbulha em suas entranhas.

Está tão pálida e opaca.

Passou, apenas passou.

Teve de aprender a fazer isso.

Está descontrolada, mas sob controle.

Só assim para não explodir.

Mais um dia passa batido, por entre lençóis jogados pelo chão.

Ela corta os dedos com os cacos de vidro.

Mas ela nem se importa, ela nem importa.

Está tudo desinfetado, correndo por suas veias.

A miséria humana é blasé.

Assim, tudo se afoga nestes fins.

A beleza deste quadro está em sua paisagem banal e sem cor.

Se ninguém o comprasse, poderia ser especial.

Mas sempre há alguém disposto a oferecer algumas moedas.

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