quarta-feira, 11 de março de 2015

J. Merrick

Não lhe viam como gente.

Olhares de pavor sobre um objeto de distração e consumo.

Aqueles olhares nunca notaram o fundo dos seus olhos, e o sonho de ser apenas mais um.

E o tesouro que guarda em si, quem poderá descobrir?

É o homem gentil, o homem que sabe amar.

É a doçura interminável de suas palavras sem rancor.

Ele precisava ser ouvido, ele precisava ser compreendido em sua dor. 

Fala, pensa, sente.

Mas aberrações têm esse direito?

E a ganância de seu dono, a tortura e o terror, alimentam essa sequência.

Pureza incompreendida abaixo dessa carne disforme.

Dentro da jaula, apenas um grunhido.

Dentro da jaula, apenas um lamento.

Eu não sou um animal, eu sou um humano.

Eu não sou um animal, eu sou um humano.

Eu não sou um animal, eu sou um humano!

Quando alguém lhe abraçou, ele soube abraçar.

Ele deitou.

Ele orou e agradeceu.

Ele se despediu.

Ele finalmente pôde descansar.

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