sábado, 14 de março de 2015

Frango sem cabeça

O cheiro está maravilhoso.

Banquete dos deuses, somos deuses agora.

Eis a distração com as taças de vinho.

Um frango sem cabeça caminha por entre nossas pernas.

Ele procura por sua família.

Um frango sem cabeça caminha por entre nossas pernas.

Ele se debate em nossos pés, ele se debate entre chutinhos.

Alguns chutes fazem-no acomodar-se, tentando voar.

Ele não consegue voar.

Um frango sem cabeça sai pela porta da sala de jantar.

A ironia é que ele nunca sai de lugar algum cabisbaixo.

Um frango sem cabeça anda pela cidade.

Caminha sem rumo, entre as pressas que movem este mundo.

Um frango sem cabeça busca seu espaço.

Ele não está abatido.

Um frango sem cabeça prossegue por aí.

Alguém atenta para sua existência e lhe acolhe.

Um frango sem cabeça está feliz, sob uma asa de bondade.

Um frango sem cabeça segue confiante, não sabe pra onde.

Um frango sem cabeça segue confiante, sob a promessa de um lugar bem quentinho.

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