domingo, 1 de março de 2015

A solidão e seus ensinamentos

A solidão ensina muitas coisas.

Geralmente ela parece, à primeira vista, melancólica, quase uma tragédia.

Não mentirei: a solidão traz consigo uma porção considerável de melancolia.

Mas também traz coisas boas, amadurece.

Basta saber compreendê-la, ouvi-la em seu silêncio que tanto diz. 

A solidão estimula instintos de sobrevivência.

Mas vai para além disso.

A solidão ensina a melhor viver.

Ela nos torna um pouco menos dependentes afetivamente.

A solidão nos ensina a suportar integralmente o imenso fardo que representa sermos nós mesmos.

É a partir dela que temos a exata noção do nosso lugar no mundo, daquilo que somos e daquilo que realmente representamos não só para o que nos é exterior, mas talvez e principalmente, para nossas próprias vidas.

A solidão faz com que, por vezes, na falta de companhia, espremamos dos espaços mais recônditos do ser, algumas de suas potencialidades, suas qualidades muitas vezes ocultas.

A solidão nos faz mais criativos, mais pró-ativos.

Porque tudo que podemos esperar só pode vir de nós mesmos.

E então a própria espera perde seu sentido e conteúdo.

A solidão traz auto-conhecimento, sobre nossos reais limites, e sobre aquilo que era apenas potencialidade encoberta por medos e receios.

A solidão nos faz ver que, ao fim e ao cabo, tudo o que realmente temos é nós mesmos.

E o eu, outrora desvalorizado, massacrado, escanteado como algo mesquinho ou de menor nobreza, torna-se absolutamente sagrado.

A solidão nos torna mais inteiros diante da vida.

Assim, inteiros, talvez estejamos preparados para ser o nosso melhor para quem amamos.

E então, nos desvinculamos da solidão não de maneira hostil, como quem se livra de uma inimiga infligidora de sofrimento.

Apenas nos despedimos dela, levemente, com um abraço sincero de alguém que realmente com ela aprendeu a ser um pouco melhor, e que dela fez uma amiga.

Rumamos, assim, em direção a um amor que agrega energias, e não as suprime.

E podemos finalmente viver.

2 comentários:

B. disse...

Muito bom! Costumo dizer que a solidão é minha companheira, nela me repouso, nela me tranquilizo.

Bruno Mello Souza disse...

Saudades de ti por aqui, B.!

Beijos!