terça-feira, 31 de março de 2015

Seguindo as pegadas

Meus pés descalços sentem a grama, a areia e a vida.

Não tenho respostas, e olho para o céu.

No silêncio, busco minha calmaria.

Mas em minha mente, ainda ouço muitos ruídos.

A cada sorriso seu, eu renasço.

E me alimento das recordações de um futuro sonhado.

Te amar é me doer.

Não conheço o caminho das suas pegadas.

E não sei onde vou parar.

Mas sei bem das coisas que quero.

Então vou seguindo, mesmo quando escurece.

Eu sei bem que quero chegar.

E o melhor lugar do mundo sempre será onde você esteja.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Não se assuste, menina

Não se assuste, menina.

Nada aqui é letal, não agora.

Que tristeza é esse medo de viver.

Então deixe-me lhe dar um abraço.

Eu queria tanto poder lhe dizer que tudo vai ficar bem.

É tão pura sua vontade de brincar sem o trauma dos estouros.

Mãos ao alto, estes adultos cruéis não entendem sua vontade de correr sem fugir.

Eles não entendem que você não tem culpa nenhuma.

Essa gente se alimenta de sangue.

E o mundo continua girando enquanto explode.

Não se assuste, menina, pois seu coração ainda pulsa.

E você tem todo o direito de trocar o medo pela alegria em seus olhos.

Você tem todo o direito de ser feliz.

domingo, 29 de março de 2015

Impermanência e eternidade

Não há motivo para temer a morte.

Pois morremos a cada segundo.

E renascemos imediatamente.

Não há motivo para temer a vida.

Pois qualquer sensação de controle é pura ilusão.

E de um modo ou outro, tudo é impermanência.

A ironia é que nesta impermanência nós somos permanentes e eternos.

E cada palavra, cada riso, cada sensação, tudo fica nos lugares por onde passamos.

Tudo que um dia existiu está fadado a existir para sempre. 

Tudo que um dia foi vivo e pulsou, viverá para sempre.

sábado, 28 de março de 2015

Um cheiro e uma textura

Estou comigo mesmo e com os meus sentimentos. 

É com eles que sempre termino quando o sol se põe.

Substituo palavras para me expressar, de forma estéril, talvez.

Preencho cada segundo com estes sonhos.

E não quero ser apagado, sempre temi o esquecimento. 

Não há espaço ou forma para meus anseios.

E talvez eu nunca consiga desempenhar o papel a mim destinado.

Olhos fechados, um cheiro e uma textura, isso pode salvar algum dia.

Um bom lugar, onde possa ser eu mesmo sem ter medo de sentir, isso pode salvar minha vida.

Disponho-me a ser seu lar, ainda que casas de campo possam ser bastante confortáveis.

Eu poderia ser um talismã que você pudesse sempre levar em uma corrente no pescoço.

Mas isso está tão longe do mundo em que vivemos.

Talvez seja uma tremenda bobagem, mas me faz sorrir.

Seria tão bom desfrutar a sensação de ter o coração aberto.

Seria tão bom agradecer um milagre olhando para as estrelas em seus olhos.    

sexta-feira, 27 de março de 2015

Tempos (quase) cruzados

Os tempos quase se cruzam.

Mas geralmente estou um pouco atrasado.

Em todo o campo de visão, eu poderia olhar para qualquer coisa aleatória.

Mas procuro seus olhos, até que eles me encontrem.

E eles sempre me encontram.

Então você sorri, e eu sorrio também.

Nesse segundo, tudo ganha um significado.

Nesse segundo, sinto-me existindo em sua existência.

Aí eu vejo que não preciso mais adiantar meu relógio.

Não estou mais atrasado.

O quase fica para trás.

E os nossos tempos finalmente se cruzam.   

quinta-feira, 26 de março de 2015

A chave certa

Quando fecho os olhos, sempre lhe encontro em meus sonhos.

Então por que deixaria de sonhar?

Em cada rastro que eu deixo, lá está a marca de tudo que sou, quero e amo.

Minhas forças ressurgem, vindas de você.

Já desisti de entender esse poder.

Apenas abro meu peito, assim eu respiro melhor.

Às vezes, são as tolices do coração que nos fazem sobreviver.

Terminaram as palavras do dicionário, foram-se todas as minhas expressões.

E ruas pelas quais nunca passei me fazem lembrar você.

Nem sei por onde estou caminhando, nem sei onde vou chegar.

Mas sigo procurando a chave certa jogada no chão de alguma esquina.

Eu sigo buscando minha sorte em seu sorriso.

Porque é assim que sou e sempre serei.

E se não fosse assim, talvez nada valesse a pena.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Fora do radar

Mais uma vez, sobraram apenas seus destroços.

É assim depois de cada explosão.

Tanta energia se foi, tantos rumos se perdem.

Seu coração está fora do radar.

Ele ama tanto que seu estômago dói.

O silêncio é uma sentença condenatória.

Para não cair, terá de voar eternamente.

A verdade está no espaço não preenchido entre cada palavra.

E isso é tudo o que sobrou para o momento.

terça-feira, 24 de março de 2015

Até o talo

Mergulhe na sujeira.

Não, não há fuga.

Meu estômago corrói e se desgasta, pode ser fome, pode ser meu velho prejuízo.

Duas horas de sono são mais do que insuficientes.

E a noite se torna desespero.

O que mais será necessidade?

Até o talo lhe consomem, você está disposto a jogar?

Até o talo lhe consomem, qual é o preço a pagar?

Ele contamina todo o ar, preciso respirar um pouco.

Uma barata rastejante merece mais a minha consideração.

Compartilhamos o mesmo planeta, e isso é um extremo incômodo.

Numa pequena urna cheia de pó, tudo poderia chegar a um acordo.

Dissimule e destrua, seja mais do que este esboço fracassado de gente.

Não, não há como.

Será eternamente sanguessuga de vidas e almas, não pode ser mais do que isso.

E o que mais será necessidade?

Quantos abusos mais?   

Diga-me, o que mais será necessidade?

Diga-me quantos abusos mais?

domingo, 22 de março de 2015

Aos meus pais

Vivo um momento especial da minha vida.

Muito especial, talvez o melhor dela.

Tenho conhecido muitas coisas, sobre o mundo e sobre mim mesmo.

Tenho tido experiências pelas quais sempre serei grato ao universo.

Mas dentro desse imenso e talvez infinito universo, sou eternamente grato a duas pessoas.

Falo de meus pais.

Esses dois seres humanos lutaram muito por mim, desde o primeiro dia da minha existência.

Se estou onde estou, como estou, eu devo muito a eles.

Mais a eles do que a qualquer programa de governo, a qualquer sorte ou acaso, mais do que ao meu próprio esforço- que, sei bem, não tem sido pequeno.

Dona Sonia e Seu José fizeram de mim o que eu sou hoje.

E eu tenho um orgulho inesgotável de ser filho desses dois seres humanos.

Eles podem não saber nada sobre as chaves para a solução dos dilemas da democracia contemporânea.

E quer saber?

A mim isso não importa nem um pouco.

Eu mesmo, fazendo doutorado na área, não sei.

E nem sequer tenho presunções de saber, porque sou avesso a essas tolas manifestações de masturbação intelectual.

O que me importa é que essas duas pessoas sabem bem como viver e sobreviver, sob as mais adversas condições.

Isso não tem diploma ou certificado de erudição que dê.

Quem vive só de lattes geralmente sabe pouco de manter-se abrindo latas.

Preciosas latas de sardinha, às vezes tendo isso como única fonte de subsistência em um dia qualquer, de sol, trabalho e cansaço.

Eles são os verdadeiros mestres da minha vida, para o que realmente tem valor.

Foi com eles que aprendi a ser honesto, a não me dobrar e a não lamber saco algum, por maiores que fossem as benesses disso.

Foi com eles que aprendi a ser eu mesmo, ainda que o preço disso seja caro, mas nunca impagável.

E a isso serei grato até o último segundo da minha existência.

Morte e renascimento

A luz se apagou.

O sol se escondeu.

O mundo se acabou.

Eu morri.

Então você surgiu.

Então você sorriu. 

Tudo se iluminou.

E eu renasci.

sábado, 21 de março de 2015

Muralha

Quando não te faço feliz, me sinto frustrado.

Meu sentimento é uma muralha na qual muitas vezes não consigo subir.

E queria poder te enxergar por dentro.

E queria poder te entender por completo.

Compreenda, é difícil pra mim.

Nunca quis desfazer o teu sorriso.

Mas preciso correr mais e mais.

Porque eu nunca chego.

Às vezes, me revelo por completo, é possível ver até minhas entranhas.

Talvez eu seja insuficiente no dom de te sentir, no dom de te amar.

Preencho o vazio com essas palavras de dor e remorso.

Talvez isso não faça diferença alguma.

Mas meu coração quebrado em pedaços forma várias lâminas afiadas rasgando meu peito.

Eu estou perdido, sei que estou.

Eu não tenho solução, sei que não tenho.

E assim vou ficar.

E assim tudo vai ficar.  

quinta-feira, 19 de março de 2015

Ser universo

Estou neste tempo, não quero fugir.

Sou tudo, sou todos, em todos os dias e lugares.

Em quantos mundos estou neste exato momento?

Estou em qualquer um, menos no meu.

Me consumo no receio de partir, ou de mudar de estação.

Reúno todas as dores, todas as cores, de cada um de nós. 

Sou o próprio universo, e tanta grandeza às vezes me assusta.

Viver é um milagre, e quantos milagres restarão ao final?

Onde sou amor, onde esconde-se o segredo, onde está o sentido?

Sou o início e o fim, e o tudo sem mim resume-se à mera inexistência.

Meu carnaval

Dizem que eu ando triste.
Que tudo que existe é o tempo a voar.
Mas hoje será um novo dia.
Eterna alegria, enquanto durar.

Ah, o meu carnaval será genial.
Será genial...
Ah, o meu carnaval não será igual.
Não será igual...

Dizem que eu troco as pernas.
Angústia eterna à beira do mar.
Hoje será diferente.
Olhando pra frente, eu quero cantar.

Hoje será diferente.
Mais um nessa gente também quer dançar.

Hoje esse carnaval não vai terminar.
Não vai terminar...
Hoje, nesse carnaval, a dor vai passar.
A dor vai passar... 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Se sobrar um tempo

Se sobrar um tempo, olhe para mim.

Se sobrar um tempo, diga "olá".

Se sobrar um tempo, conte-me uma história.

Se sobrar um tempo, ouça-me um pouco.

Se sobrar um tempo, dê-me uma esmola.

Se sobrar um tempo, dê um pouco do seu tempo para mim. 

terça-feira, 17 de março de 2015

Que gente é essa?

https://www.youtube.com/watch?v=2hNviap_7eQ

Que gente é essa?

Que gente é essa que ainda vive na Guerra Fria?

Que gente é essa que ovaciona um assassino psicopata do DOPS?

Gente tão psicopata e doentia quanto, certamente.

Respeito os que foram às ruas democraticamente, ainda que cheio de discordâncias inconciliáveis.

Mas não respeito nem um pouco esse bando de debiloides que usam a democracia para pedir ditadura.

É gente movida unicamente pelo ódio, é o que se vê naqueles olhos, apenas isso, um ódio patológico.

Não serei hipócrita, também odeio um bocado de gente e de coisas.

Acho, inclusive, importante essa delimitação, porque quem ama tudo e todos, não ama nada, nem ninguém.

É bom que haja contrastes, a vida é feita deles.

O problema é quando o ódio é a ÚNICA coisa que move uma porção de pessoas.

E é só isso que vejo nesse pessoal que defende a "limpeza moral da sociedade brasileira".

O ódio em estado puro não tem qualquer força construtiva: serve apenas para destruir.

E é nesse ponto que faixas como aquela que dizia "Luto pelo fim da democracia. Intervenção militar já", aparentemente absurdas e risíveis, passam a fazer sentido.

Porque o luto em questão não é substantivo. É verbo.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Clap, clap, clap!

Segue trecho dessa mente privilegiada da opinião mundial, David Coimbra, que você pode ler na íntegra aqui:

"A punição, ou, antes, a impunidade está no coração da maioria dos problemas brasileiros. Não é o desenvolvimento econômico que faz de um país um bom lugar para se viver. Não é o dinheiro. E nem é a igualdade. É o cumprimento do pacto social. As pessoas têm que respeitar as regras que elas próprias estabeleceram para viver em sociedade. Essas regras são a lei. Se a lei não é boa, lute-se para modificá-la, mas sempre dentro da lei, nunca fora. E, se a lei, mesmo injusta, não for cumprida, é preciso haver punição" (COIMBRA, David, 2015).

Ou seja, vivesse no Brasil lá pelos séculos 18 ou 19, o brilhante colunista ficaria facinho, facinho ao lado dos senhores escravocratas, e não de algum escravo que se atrevesse a tentar fugir de sua condição.   

E tome chibatada!

domingo, 15 de março de 2015

Nada é necessário

Sempre há algo mais importante, comemoramos uma ausência.

Eu fico aqui, estou mascando chicletes.

Algumas pessoas sempre cuidam bem de si mesmas.

E outras sempre caem nas armadilhas da degradação.

Ninguém se preocupa se você está de joelhos.

É apenas o começo do abuso.

Satisfação de necessidades, a amabilidade vai e volta.

Você tem todo o tempo.

Ninguém tem tempo nenhum.

E vão te dizer que você está assim porque quer.

E vão te dizer que você está assim porque deixou arrancarem a sua pele.

Nada é necessário, deite e durma.

Nada é necessário, deixe tudo explodir e o mundo acabar.

sábado, 14 de março de 2015

Frango sem cabeça

O cheiro está maravilhoso.

Banquete dos deuses, somos deuses agora.

Eis a distração com as taças de vinho.

Um frango sem cabeça caminha por entre nossas pernas.

Ele procura por sua família.

Um frango sem cabeça caminha por entre nossas pernas.

Ele se debate em nossos pés, ele se debate entre chutinhos.

Alguns chutes fazem-no acomodar-se, tentando voar.

Ele não consegue voar.

Um frango sem cabeça sai pela porta da sala de jantar.

A ironia é que ele nunca sai de lugar algum cabisbaixo.

Um frango sem cabeça anda pela cidade.

Caminha sem rumo, entre as pressas que movem este mundo.

Um frango sem cabeça busca seu espaço.

Ele não está abatido.

Um frango sem cabeça prossegue por aí.

Alguém atenta para sua existência e lhe acolhe.

Um frango sem cabeça está feliz, sob uma asa de bondade.

Um frango sem cabeça segue confiante, não sabe pra onde.

Um frango sem cabeça segue confiante, sob a promessa de um lugar bem quentinho.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Batida monótona

Palavras vão ficando pelo caminho.

Sob o sol, os anseios perdem legitimidade.

Não tenho o direito de ser tão contagioso.

Não tenho o direito de destruir seu mundo.

Eu posso morrer aos poucos, não me preocupo.

Aprendi a lidar com isso.

Essa batida é monótona.

A exaustão não traz resposta alguma.

Essa procura terminou, e creio que nunca vamos nos encontrar.

Paisagem banal

As garrafas estão jogadas sobre a mesa.

E o cigarro pela metade.

Ela voltou ao seu túnel interminável.

O apartamento está uma bagunça.

Mas tudo o que ela sente está exposto à mesma confusão.

Está sozinha consigo mesma, porque ele já foi embora.

Não queria perder o que nunca vai usar, ele sempre apareceu na hora que quis.

Só precisava dar umazinha, ela sabia.

Está gelada, não pode deixar de jogar.

Mas borbulha em suas entranhas.

Está tão pálida e opaca.

Passou, apenas passou.

Teve de aprender a fazer isso.

Está descontrolada, mas sob controle.

Só assim para não explodir.

Mais um dia passa batido, por entre lençóis jogados pelo chão.

Ela corta os dedos com os cacos de vidro.

Mas ela nem se importa, ela nem importa.

Está tudo desinfetado, correndo por suas veias.

A miséria humana é blasé.

Assim, tudo se afoga nestes fins.

A beleza deste quadro está em sua paisagem banal e sem cor.

Se ninguém o comprasse, poderia ser especial.

Mas sempre há alguém disposto a oferecer algumas moedas.

quarta-feira, 11 de março de 2015

J. Merrick

Não lhe viam como gente.

Olhares de pavor sobre um objeto de distração e consumo.

Aqueles olhares nunca notaram o fundo dos seus olhos, e o sonho de ser apenas mais um.

E o tesouro que guarda em si, quem poderá descobrir?

É o homem gentil, o homem que sabe amar.

É a doçura interminável de suas palavras sem rancor.

Ele precisava ser ouvido, ele precisava ser compreendido em sua dor. 

Fala, pensa, sente.

Mas aberrações têm esse direito?

E a ganância de seu dono, a tortura e o terror, alimentam essa sequência.

Pureza incompreendida abaixo dessa carne disforme.

Dentro da jaula, apenas um grunhido.

Dentro da jaula, apenas um lamento.

Eu não sou um animal, eu sou um humano.

Eu não sou um animal, eu sou um humano.

Eu não sou um animal, eu sou um humano!

Quando alguém lhe abraçou, ele soube abraçar.

Ele deitou.

Ele orou e agradeceu.

Ele se despediu.

Ele finalmente pôde descansar.

terça-feira, 10 de março de 2015

Pequenas reflexões sobre a vida e a morte

Acontecimentos como este acidente de helicóptero que vitimou três atletas franceses (leia aqui e aqui) sempre me deixam pensativo.

A morte sempre me deixa assim, reflexivo.

Essa linha extremamente tênue que separa a vida da não-vida é cruel.

Quando ocorre com pessoas jovens como estes atletas, a Campeã Olímpica de natação Camille Muffat, o medalhista de boxe Alexis Vastine e a velejadora Florence Arthaud, fico mais impactado ainda. 

De algum modo, estamos expostos o tempo todo.

E aí sempre me pergunto: qual o sentido disso tudo? Para que serve a vida, essa coisa que nos ilude, nos envolve, e se acaba a qualquer momento, sem deixar qualquer explicação? O que é, de verdade, a vida, esse nada que é tudo o que temos?

Do que se trata isso que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, degustamos, sabemos que existe, mas não sabemos exatamente do que se trata?

Fazemos planos, projetamos anos e anos em nossas mentes, mas na verdade, nem sabemos se amanhã estaremos vivos.

Sei que isso é clichê, mas o negócio é viver plenamente este exato segundo. Talvez ele seja o último que nos resta...

segunda-feira, 9 de março de 2015

Único tesouro

Cada dia representa um novo aprendizado.

É o ar que enche os pulmões, a melodia do relógio.

E eu entendo bem das coisas que não quero deixar.

Sei perfeitamente meus motivos, e o caminho que quero trilhar.

Você abriu meu coração cuidadosamente, você conseguiu.

Então em cada gosto, em cada cheiro, sinto um pouco de sua essência.

Não conheço as voltas, nem sei onde vou chegar.

Eu nunca precisei disso.

Minha força vem da sua, e minha alma é um pouco da sua.

E quando olhos nos seus olhos, eu vejo o universo.

É tão bonito quando conquisto um sorriso seu.

Presente que nunca perde o brilho, nunca enjoa ou se desgasta.

Um único tesouro, semente para trazer os frutos de toda uma vida.

domingo, 8 de março de 2015

Labirinterrogações

A vida é labirinto interminável.

Por onde posso te encontrar?

Por onde posso te perder?

Isso é tão difícil, eu nem mesmo sei onde estou.

Perto ou longe?

Tudo ou nada?

Meu peito fica mais leve quando te vejo.

Poderia?

Deveria?

Encontro meu lar, minha alegria.

Será apenas um sonho?

Será que já me encontrei e ainda não sei? 

sábado, 7 de março de 2015

Mais vivos!

Tome um café ou um copo d'água.

Há muito mais dessa vida pela frente.

Corremos neste sangue, somos a resistência.

Então não baixe a cabeça.

Uma chicotada a mais, cuspa no rosto destes senhores.

Pisoteie os dogmas destes espíritos pobres, indigentes.

Nada disso tem valor, eles sobrevivem de seus pequenos espetáculos deprimentes.

Não, eles não sabem que viver é bem mais.

Eles não conhecem o sabor de um sorvete de doce de leite numa tarde de sol.

Eles desconhecem a inspiração invadindo os pulmões.

Eles não sabem nada deste amor que compõe cada célula do que somos.

E não sabem nada da gostosa sensação de se manter de pé, com um sorriso no canto da boca ferida.

Isso é tudo o que somos.

Tão pequenos na vastidão do universo.

Tão bons na arte de desafiar falsas grandezas e tolas vaidades.

Tão vivos, mais vivos, mais vivos! 

sexta-feira, 6 de março de 2015

O burro e a cenoura

Motivos são duradouros.

A estrada não tem fim.

Não, isso não acaba.

Um obstáculo a mais sempre é criado nesta pista.

Somos todos bobos, filmados para a diversão alheia.

Não temos direito a descanso.

Somos os burros e nossas cenouras, sempre à frente.

Somos humanos e nossas felicidades prometidas, sempre à frente.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Tempo certo

Tudo passa rápido o suficiente para lhe dar medo.

Tudo passa devagar o suficiente para lhe trazer angústia.

O vento que sopra é nó na garganta.

O sol que baixa aos poucos leva mais do tempo que escorre por seus dedos.

A tristeza é pintura a óleo em sua tela.

A dor possui uma beleza inexplicável e encantadora.

Estamos morrendo o tempo todo, enquanto passamos pela ilusão da vida.

E caminhamos por este corredor sem saber onde chegaremos.

Quando eu me despedir, poderei levar um pouco desse brilho?

Quando eu for embora, poderei permanecer nestas palavras intocadas?

Eu sou apenas uma lágrima, e eu tento dizer tanto!

Eu sou apenas um suspiro abafado, tão eloquente em seu quase silêncio! 

O tempo certo é eterna partida.

O tempo certo é precioso vapor subindo pelo céu... 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Gladiadores do Altar

Estava lendo aqui sobre os tais "Gladiadores do Altar", que vêm causando certa polêmica (leia aqui a matéria da Zero Hora).

Trata-se de um negócio meio dantesco, um bando de marmanjos grunhindo palavras de ordem religiosas, cegos e fanáticos.

Não sei para onde isso vai. Mas darei o benefício da dúvida de que a "militarização" se restrinja à postura tosca de marchas e gritos.

De todo modo, espanta essa necessidade de digladiar, lutar, querer impor uma visão religiosa sobre as outras.

O fanatismo mata, e estamos vendo isso todos os dias.

Um Deus que seja tão superior, tão feito de amor como apregoado, não tem porque odiar e castigar quem simplesmente pensa diferente de seus princípios. Do contrário, seria somente mais um ditador.

Fiéis que sejam tão bondosos sequer precisariam ser guiados por dogmas ou livros.

Eu, pelo menos, não sinto nenhuma falta desse tipo de coisa, sigo minha consciência, e sigo bem, com minhas próprias noções de certo ou errado, coincidindo em algumas coisas, colidindo com outras, da dita "palavra de Deus".

Particularmente não creio que eu precise de um manual de instruções para me dizer que matar e roubar é errado, ou outras coisas.

Respeito todas as religiões e visões acerca do mundo e da vida. Mas não respeito o desrespeito a alguém porque acredita diferente ou simplesmente não acredita.

Sobre o assunto e aquilo que penso, ainda recomendo, modestamente, outros dois textos que escrevi no DC: "Ditadura de Deus" e "O Deus de Feliciano".

terça-feira, 3 de março de 2015

Mendigos e ladrões

Olhe para o teto.

Desenhe o que quiser.

A espera demora uma eternidade.

Qual é a ilusão do dia neste diversificado cardápio?

As pessoas sempre se enjoam de seus brinquedos.

Às vezes, elas se enjoam rápido demais.

Paredes ásperas, posso lixar minha pele nelas.

É a melhor forma de sentir algo e me distrair.

Mendigos imploram por moedas.

Mas eles nunca são vistos.

Ricos entediados saqueiam algo mais.

Ladrões, eles sempre são vistos.

Destile vida enquanto sente dor.

É a receita de tudo.

Liberte seu gemido, e grite, e cante.

Eu não sinto, eu não me importo, eu não estou ferido.

Sei bem bancar o papel de durão.

Tudo é tão modorrento e igual.

Você foi afastado como um doente.

E está sozinho sem saber que horas são.

Todos foram embora.

Você nunca é levado. 

Mas sempre permanece em algum lugar.

segunda-feira, 2 de março de 2015

10 profundos pensamentos de Mamonas Assassinas

Em 2 de março de 1996, há exatos 19 anos, morriam em desastre aéreo os Mamonas Assassinas, um verdadeiro fenômeno do rock brasileiro. Eu tinha 10 anos e era fascinado pela banda, ouvia todos os dias. Na época, a comoção foi extraordinária, como não poderia deixar de ser. Quase duas décadas depois do acidente, ficou a alegria e humor pra lá de politicamente incorreto dos caras. Na obra, alguns pensamentos e frases épicos. E aí surgiu a ideia: listar os meus 10 pensamentos preferidos encontrados ao longo das músicas dos Mamonas. Fiquem com essas pérolas de profunda sabedoria filosófica mamoniana:

10. "E na cama quando inflama, por outro nome me chama, mas tem fácil explicação: o meu nome é Dejair, facinho de confundir com João do Caminhão."

9. "O amor é uma faca de dois legumes, a luz anal do vagalume, que ilumina o meu sofrer. Eu ainda sinto o seu perfume, um cheirinho de estrume, não tá fácil de te esquecer."

8. "Money, que é good, nós não have. Se nós havasse, nós não tava aqui playando. Mas nós precisa de workar. Money, que é good, nós não have. Se nós havasse, nós não tava aqui workando. O nosso work é playar."

7. "Eu dei um beijo nela, e chamei pra passear. A gente fomos no shopping, pra mode a gente lanchar. Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim. Até que tava gostoso, mas eu prefiro aipim!"

6. "Eu queria um apartamento no Guarujá, mas o melhor que eu consegui foi um barraco em Itaquá. Você não sabe como parte o coração ver seu filhinho chorando querendo ter um avião. Você não sabe como é frustrante ver sua filhinha chorando por um colar de diamante. Você não sabe como eu fico chateado, ver meu cachorro babando por um carro importado."

5. "Quando eu repeti a quinta série, tirava E, D, D, E, de vez em quando um C. Mais de dez mil anos se passaram-se... Ce-ce-cecererê-cecê."

4. "A polícia é a justiça de um mundo cão. Mês de agosto sempre tem vacinação. Na política, o futuro de um país. Cala a boca, e tira o dedo do nariz!"

3. "No mundo animal existe muita putaria. Por exemplo, os cachorro que come a própria mãe, sua irmã e suas tias. Eles ficam grudados, de quatro se amando em plena luz do dia."

2. "Quando eu estou no trabalho, não vejo a hora de descer dos andaime, pra pegar um cinema, ver Schwarzenegger, também o Van Damme."

1. "Te falei que o pediatra é o doutor responsável pela saúde dos pé. O zoísta cuida dos zóio. Os oculista, Deus me livre, nunca vão mexer no meu!" 

domingo, 1 de março de 2015

A solidão e seus ensinamentos

A solidão ensina muitas coisas.

Geralmente ela parece, à primeira vista, melancólica, quase uma tragédia.

Não mentirei: a solidão traz consigo uma porção considerável de melancolia.

Mas também traz coisas boas, amadurece.

Basta saber compreendê-la, ouvi-la em seu silêncio que tanto diz. 

A solidão estimula instintos de sobrevivência.

Mas vai para além disso.

A solidão ensina a melhor viver.

Ela nos torna um pouco menos dependentes afetivamente.

A solidão nos ensina a suportar integralmente o imenso fardo que representa sermos nós mesmos.

É a partir dela que temos a exata noção do nosso lugar no mundo, daquilo que somos e daquilo que realmente representamos não só para o que nos é exterior, mas talvez e principalmente, para nossas próprias vidas.

A solidão faz com que, por vezes, na falta de companhia, espremamos dos espaços mais recônditos do ser, algumas de suas potencialidades, suas qualidades muitas vezes ocultas.

A solidão nos faz mais criativos, mais pró-ativos.

Porque tudo que podemos esperar só pode vir de nós mesmos.

E então a própria espera perde seu sentido e conteúdo.

A solidão traz auto-conhecimento, sobre nossos reais limites, e sobre aquilo que era apenas potencialidade encoberta por medos e receios.

A solidão nos faz ver que, ao fim e ao cabo, tudo o que realmente temos é nós mesmos.

E o eu, outrora desvalorizado, massacrado, escanteado como algo mesquinho ou de menor nobreza, torna-se absolutamente sagrado.

A solidão nos torna mais inteiros diante da vida.

Assim, inteiros, talvez estejamos preparados para ser o nosso melhor para quem amamos.

E então, nos desvinculamos da solidão não de maneira hostil, como quem se livra de uma inimiga infligidora de sofrimento.

Apenas nos despedimos dela, levemente, com um abraço sincero de alguém que realmente com ela aprendeu a ser um pouco melhor, e que dela fez uma amiga.

Rumamos, assim, em direção a um amor que agrega energias, e não as suprime.

E podemos finalmente viver.