sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Orfeu e Eurídice

Éramos completos, um do outro.

Cada nota doce de minha lira pertencia a você.

Mas a vida é uma fatalidade.

Quando eu mais amava, te perdi.

Não desisti, atravessei águas e almas agonizantes.

Dobrei o inferno para levá-la de volta comigo.

Mas eu não podia lhe olhar enquanto o sol não beijasse seu rosto. 

Na subida, tanto amor e esperança.

E naquele querer poder te querer, eu errei, eu lhe olhei.

Você ainda estava nas sombras, e nelas teve de ficar, prisioneira.

Ah, meu amor, me perdoe.

Foi num lapso que lhe perdi.

E seu grito ecoa nas paredes de minha alma.

Meu martírio mais profundo e cheio de remorso.

Não me despedi, querida, seu brilho não morreu em mim.

Juro, sou apenas seu.

Seu apenas, serei para sempre.

E ficarei nas sombras por você.

Sou um triste Orfeu, com minha lira em lamento eterno.

Sou a dor que não cessa, desesperadoramente imortal em minha solidão.

Sou o amor no mundo dos mortos, a melodia da desesperança.

Linda Eurídice, ficarei aqui até que tudo se esgote.

E esperarei a liberdade, que talvez nunca chegue.

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