domingo, 11 de janeiro de 2015

Pequeno devaneio numa esquina salmantina

Estou numa esquina de Salamanca, sentado, bebendo uma cerveja deliciosa por 2 euros. Estou muito próximo da felicidade. Ainda falta algo. Mas talvez sempre falte algo. Talvez a felicidade seja, afinal, uma utopia.

De todo modo, sinto-me muito contente. Estou a um oceano daqueles que amo, isto é certo. Porém, talvez essa seja a única queixa. Afinal, estou vivendo uma relação de amor e paixão puros pelo lugar em que estou. Me sinto praticamente um salmantino. Moraria aqui pelo resto da vida, se fosse possível, e se comigo eu pudesse ter quem eu amo.

Esta cidade me faz sentir vivo e encantado por existir. Aqui me sinto seguro. Aqui me sinto aconchegado. Acho que não há, no mundo todo, uma cidade com atmosfera tão simpática e acolhedora.

Salamanca destila beleza em cada esquina. E seus mesmos lugares conseguem me surpreender a cada nova vez em que os vejo. Na Plaza Mayor, nos arredores das catedrais, em cada pequena rua, não há chateação que resista muito tempo diante de tão magnífico encantamento.

Sinto-me no ápice da minha existência. Salamanca, a seu modo, me abraçou. Me sinto simultaneamente servo e senhor deste lugar. Sinto uma alegria intensa e imensa pelo simples fato de estar vivo. Sinto-me absolutamente grato ao universo, por ter me dado essa oportunidade.

Aqui, o tempo voa. Deve ser essa intensidade. Pressinto que os seis meses passarão como se fossem apenas um. Talvez isso não seja má notícia. Em primeiro lugar, porque há braços para os quais conto os dias para voltar. E em segundo lugar, porque as melhores coisas da vida são assim, passam rápido. Os infernos se demoram, ardem, queimam até o limite que a pele suporta. Mas os paraísos, de tão leves, flutuam, e passam.

Hoje, eu amo Salamanca. Não sei o que virá pela frente. Mas hoje afirmo sem medo de errar: eu amo esta cidade. E amo estar vivendo isso. Mesmo estando longe de quem eu amo. 

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