sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O impacto social de uma bunda

O mais novo estampido a ressoar no Brasil vem de uma bunda. Não, não se trata de um peido. Mas sim da exibição de Paolla Oliveira em uma micro-lingerie em rede nacional, numa minissérie chamada "Felizes para Sempre". Dei uma olhada e, de fato, é uma bunda de respeito, é uma bunda iluminada.

Entretanto, para além da bunda em si, é notável o impacto social que ela gera, entre amores e rancores. Se as nádegas de Paolla Oliveira tivessem orelhas, elas estariam queimando infernalmente. A metagenda do momento é encabeçada pela bunda da Paolla. Até Rafinha Bastos fez sua versão- não tão sexy- da cena. É impressionante a capacidade de comoção que as bundas possuem.

Bundas são a melhor forma de fazer um homem meditar. Um bom par de nádegas conduz instantaneamente até a alma mais voadora e dispersa para o momento presente. Contas a pagar? Petrobrás? A dor e o sofrimento da existência humana? Qui est Charlie? Ebola? Não! Rebola! Tudo acaba sendo eclipsado por uma bunda portentosa.

Não é à toa que os anos 90 giraram em torno do É o Tchan, com as polpinhas das dançarinas sacudindo alegremente para lá e para cá; e da banheira do Gugu, com bundinhas e bundões envolvidos num hipnótico jogo que levava a outra dimensão pais de família em plenas tardes de domingo. Uba, uba, uba, hey! Ou, traduzindo do raimundês, "tv a rabo, aqui só no botão".

Vivemos num sistema bundocêntrico. E o que ocorre é mais ou menos como uma atração gravitacional. As grandes esferas nadegais, como enormes sóis, atraem e fazem girar em torno de si as pequenas esferas oculares, como se fossem planetinhas, geralmente masculinos.

E, veja bem, quando escrevo isso, não estou de forma alguma me colocando acima do bem e do mal, como se fosse isento ou imune. Adoro uma bunda. Adoro peitos. Sou um homem médio, e como homem médio, estou exposto a toda essa série de coisas que mobilizam o imaginário masculino. Não atingi ainda um nível existencial e espiritual suficientemente elevado para desconsiderar um atrativo par de seios ou um substancioso par de nádegas- inclusive, quem quiser interpretar erradamente o que estou dizendo e me chamar de machista/escroto/opressor, está convidado: o analfabetismo funcional já não me irrita mais, apenas me diverte. O que digo, isso sim, é que há uma desproporção, um ranqueamento errado de prioridades. 

Bundas são e continuarão sendo ótimas. Mas há algo mais nas pessoas do que isso. Há algo mais no mundo, na vida. Bundas são efêmeras. Bundas passam. Bundas vêm, bundas vão, e são substituídas por outras bundas. E então, no final das contas, sempre reinará a pergunta, decisiva, derradeira e inescapável: o que fica para além da bunda?    

2 comentários:

Patryck Leal Gandra disse...

Bruno Mello Souza,

Uma análise bem humorada, porém verdadeira.
Não tem como negar que o bumbum é a preferência Nacional!

Abraços.
Participe do Super Quiz:
Primeiro desafio

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pela participação, Patryck!

Abraços!