sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A sabedoria dos bebês

Eu geralmente sento numa parte do ônibus que fica bem próxima ao espaço vazio onde, dentre outras coisas, mães e pais se posicionam com seus bebês em seus carrinhos.

Particularmente, fico maravilhado quando vejo bebês, principalmente os de colo.

Eles observam tudo à sua volta com uma vida, com um interesse, com um deslumbramento, que são empolgantes.

Fico observando seus olhares, seus espantos, seus escaneamentos pelo cenário, pelas pessoas com suas reações.

Às vezes, devido ao lugar onde sento, em algum momento eles me encontram, e geralmente sorriem.

O sorriso de um bebê tem uma magia sem igual. É um sorriso que não carrega consigo nenhum tipo de maldade, maquiavelismo, interesse para além do momento presente. 

O sorriso de um bebê é a manifestação mais pura de que algo realmente lhe contenta, lhe compraz, lhe diverte, sem conceitos ou pré-conceitos.

Eu me pego olhando e pensando naquele pedacinho de gente, no que ele vai ser. E ele devia ser assim pra sempre. Crescer fisicamente, mas manter aquela sabedoria típica dessa linda fase da vida.

Um bebê não se preocupa se ele é ou será mais ou menos, maior ou menor, melhor ou pior do que qualquer outro bebê, do que qualquer ser humano da face da Terra.

Um bebê não se preocupa se daqui a 20 ou 30 anos ele será arquiteto, médico, banqueiro ou engenheiro. Não se preocupa com beleza ou feiura. Não se preocupa se é rico ou se é pobre.  

Um bebê não se preocupa nem com o dia de amanhã.

É aí que reside a maior sabedoria dos bebês.

Mais do que nós, tolos e ignorantes crescidos, eles sabem que o passado e o futuro não existem. O que foi, não é. O que será, tampouco é. Somente o que é, é. Somente o agora, é.

Infelizmente, eles crescerão e adquirirão os mesmos vícios que nós, os tolos e ignorantes crescidos, adquirimos, baseados em tempos, números e padrões que absolutamente nada dizem, que absolutamente nada têm de essencial.

O processo do crescimento e florescimento de uma vida humana é um processo inverso, de perda de sabedoria, e lamentavelmente não há fórmula, manual ou erudição capaz de compensar plenamente esta perda.   

Ah, os bebês... Quanto teríamos de re-aprender com eles. E quão pouco o que temos a ensiná-los representa em relação a isso...   

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