segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

70 anos

Num sopro, a vida vai.

O espelho é a eterna testemunha.

Enquanto eu piscava, o tempo passava.

Enquanto eu dormia, o sol se despedia.

Tudo que perdi, tudo que desperdicei.

E os segundos tornaram-se horas.

E as horas tornaram-se dias.

E os dias tornaram-se anos, muitos anos.

É uma bela manhã.

E o espelho, minha eterna testemunha.

Por um instante, não me reconheço.

Tenho 70 anos, e passou tão rápido.

E essas marcas são tudo o que não vivi.

O beijo que não dei.

O banho de chuva que não tomei.

O riso frouxo que recusei.

Um dia eu faria isso, ah, eu faria.

Eu lutei tanto por esse futuro.

E esse futuro é apenas o fim. 

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