quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Rei do lixo

Acorda para mais um dia de reinado.

Ele é o velho rei do lixo.

Sua coroa é de lata.

Seu cetro é um cano de plástico.

Sua poltrona, um vaso sanitário fétido, sobre uma montanha de coisas sem uso.

Seus súditos estão sujos.

Seus súditos são ratos.

Seu território é o desprezo das sobras.

Lá ele tem toda a importância, é a marca do seu tempo.

Mas o velho rei do lixo nunca é visto.

Sua capa de invisibilidade funciona, mas não há inteligentes ou estúpidos neste monte de passado que virou o nada do presente.

O velho rei do lixo nunca é ouvido.

O velho rei do lixo nunca foi.

A noite e o frio chegarão, sempre chegam.

E ele adormecerá com toda a pompa real.

Soberano em seus domínios, sozinho e imponente. 

Mas nada é real.

O velho rei do lixo é também o bobo da corte.

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