sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Máscara de gesso

A luz é baixa, as cores se misturam.

Os olhos se encontram e desviam.

Delírios vêm em espasmos.

O tempo passa aqui dentro, enquanto amores congelam na rua.

Somos sobra, temos que sobreviver.

E precisamos de algo que nos faça esquecer nossos destinos.

A dor está à espreita.

E precisamos de algo que nos faça esquecer nossos instintos.

Então usamos mais anestesia para que o tempo não passe.

A euforia é irmã do desespero.

Mas nosso grito nunca é ouvido.

Amores calmos nos fazem sangrar e morrer lentamente.

Estamos grogues no meio de gente desconhecida.

Estamos no meio da calçada, até que um raio nos parta ao meio, de uma vez.

Somos reféns daquilo que não podemos viver.

Estamos acorrentados por todos os lados.

E nossas limitações aparecem assim, para rir de nossas caras.

E os sentimentos sobem pela garganta, parando no vaso sanitário.

Agora eles são tão azedos.

Precisamos apenas criar uma ilusão para dormir em paz.

Precisamos apenas inventar uma mentira que nos permita olhar para frente.

É assim que nos conformamos enquanto não temos nossa verdade.

É assim que nos completamos com uma máscara de gesso enquanto não temos um sorriso para sorrir.

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