sábado, 6 de dezembro de 2014

Descompasso

Na melancolia, a outra face da felicidade incontida.

Respiro bem, respiro mal.

O que esses dias estão fazendo comigo?

Sonhei com belas árvores, num belo cenário.

Mas senti medo e acordei.

Há sempre fantasmas escondidos por entre os galhos.

Foram muitas vezes em que tudo me ameaçava.

Eu apenas busco um lugar que seja só meu.

As horas me roubam de mim mesmo.

Sou levado, estou me ausentando de minha própria vida.

O poeta me diz que não temos tempo a perder.

Mas como fazer, se os segundos escorrem pelos dedos?

Tenho tanto a querer, tanto a perder.

E o que fazer se o frio congelar meu peito aberto?

Aconchego-me na solidão, busco um alento na ilusão.

Eis o descompasso de tempos e sentimentos.

Eis o descompasso de lugares e possibilidades.

E somente no meu último suspiro, tudo se encaixará.

Nenhum comentário: