quarta-feira, 23 de julho de 2014

Temor permanente

Tudo muda para ser exatamente o mesmo.

O tempo nos liquida e desgasta.

E quando não há mais palavras a dizer, somos enterrados.

Tudo que brilha, apaga.

Nascemos para não ser.

Tudo é tão passageiro, não há onde se segurar.

A vida é ventania, levando a nós e nossos sonhos.

Como imbecis, ainda ficamos à espera de algo.

Vagaremos neste escuro até o fim.

A cada salto no abismo, algumas cicatrizes a mais.

E nenhuma prova será suficiente para descansarmos.

Há ladrões por todos os lados, roubando o dia de amanhã.

Não há caminhada saudável, minas terrestres são um temor permanente.

Onde está a próxima armadilha?

Em qual ponto exatamente está o próximo deboche?

Em que estação encontrarei minha próxima dor? 

Um vácuo, um riso, e tudo é descontinuidade.

Tudo se acumula até a explosão.

Mas temos de ser fortes, e explodir sozinhos, com o menor ruído possível.

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