sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pílula vermelha

Vim de um lugar que só eu conheço.

Enxergo para além da superfície.

Todos estão dormindo por baixo dessas máscaras de permanente vigília.

Doam sangue para seus reis beberem em seus tronos de ouro.

Já não são almas, são apenas etiquetas e rótulos.

E suas existências dependem não mais deles mesmos, mas dos outros.

A escravidão está disfarçada de liberdade e glória.

Então eu sou o incômodo, e prometo continuar a sê-lo.

Sou como um fantasma que eles se negam a ver, mas sabem que existe.

Joguei a pílula azul na privada, e dei descarga.

Sim, só tenho a pílula vermelha para lhe oferecer.

Então, venha comigo ou permaneça sendo um holograma.

A escolha é muito simples, entre ser visto e não existir, ou existir e não ser visto.

Sim, eu já fiz a minha.

Então, vomite toda a mentira que engana o estômago, mas não alimenta.

A escolha é muito simples, entre ser o prisioneiro que se destaca ao lado do rei, e ser livre sem mais necessitar da miserável riqueza deste palácio.

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