domingo, 13 de abril de 2014

Gregor

Olho para o céu, esperando pela grande catástrofe.

Há uma colisão de mundos prestes a acontecer.

Eu sabia que esse dia chegaria.

Sei que sobreviverei, e isso é o pior que pode acontecer.

Você não me entenderá quando eu me despedir.

"É melhor queimar do que se apagar lentamente".

Apenas fugirei dos esgotos e encanamentos.

É escolha, é orgulho.

Tudo misturado, preciso vomitar.

Tudo misturado, vomite-me no chão.

Serei esmagado como uma barata.

Não sei ser fração de mim mesmo.

Tudo que pode ser mais útil, é melhor usar.

Não sou uma carta deste jogo, desista.

Eu sempre sei o que será, sempre sei o que virá.

Meu pesadelo está sendo programado com um despertador.

Decomponho-me em vida, apodreço em suas mãos.

Todo esse ato só serve para me colocar em uma vala comum.

Sou egoísta demais para aceitar isso.

Então vou destruir tudo antes.

Não estarei nesse brinde de glória, e isso não faz diferença alguma.

É tão bom, prenda-me, coloque fogo na minha cara.

Dê-me vida para poder me matar.

Sou tão bom, mastigue-me, cuspa-me, o rodízio segue.

Vá ao banheiro, expulse-me do seu estômago.

O que é meu é seu, o que é seu é seu.

Sou violentado, sou acariciado, sou assassinado.

Mas fingirei bem que tenho importância.

E fingirei bem que não sinto dor alguma.

E fingirei bem que não me importo em ser varrido.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bruno eu me identifico muito com que tu escreves.É bom saber que eu não estou sozinho nessa história, não te entregues jamais a podridão, a mentira e a mediocridadde desse mundo.Tu és uma pessoa rara, continua assim. abraços.

Bruno Mello Souza disse...

Bah, Anônimo, muitíssimo obrigado pelas tuas palavras, de coração.

Um grande abraço.