segunda-feira, 3 de março de 2014

Alimentar elementar

Trancado no quarto, ele monta seu parque de diversões.

Velho nojento, enfiando sua colher derretida na boca da criança.

Náuseas e desconforto, ela não está com fome.

Velho deprimente, sujando o tapete.

Que vexame, você foi encontrado.

Que grande vergonha, agora você é que engolirá toda comida.

Que pena, ele não tem dentes.

Que lástima, suco de morango e leite misturados no chão.

Rei da alimentação, coma um pouco da sua ração.

Faça sua refeição quieto, não vomite.

Vamos brincar de aviãozinho, não deixe nada nessa colher de sopa.

Creme de arroz, quente e sem tempero algum.

Fique de joelhos para escovar suas gengivas após o almoço.

E todo bom comportamento será recompensado.

Oh, não, é mentira, há mais panelas fervendo na cozinha. 

Oh, não, é mentira, o seu banquete não acabará tão cedo.

2 comentários:

Zenio Almeida disse...

A boca nunca para.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pela visita, Zenio.