quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Anêmico

Há tantas eras estou silencioso.

Mas nunca me calei, enquanto meus olhos pediam ajuda para os seus.

Escolhas são escolhas, não sou nada com que você deva se preocupar enquanto se ama.

Sempre foi assim, sempre será.

Caminhei sobre os espinhos, sabia que cortaria meus pés.

Ainda assim, não me arrependo.

E se agora estou em erupção, estou destruindo tudo à minha volta.

Entenda, isso é apenas a força da minha natureza.

Eu jamais quis machucar ninguém.

Adormeço com dor, acordo em um interminável pesadelo.

O silêncio, a escuridão e a solidão parecem eternos, mesmo em meio à multidão.

Tentei todas as cores, mas vejo que sou tão somente mais do mesmo tom de cinza.

E se este novo jeito de amar é tão fácil, por que ainda estou aqui?

Palavras ainda enganam meu estômago, mas já não me alimentam.

Estou anêmico, sou um antimilagre, transformando meu sangue em água.

Mais um, e mais um, e mais um, sempre sou apenas mais um.

E isso só acontece quando, em um espasmo, consigo ser alguma coisa.

Em algum dia, eu tive sonhos.

Agora, todos eles estão cheios de mofo e bolores.  

Em algum dia, eu tive esperanças.

Agora, todas elas são lembranças de quando havia algo de verdadeiro neste céu que tudo promete e nada cumpre.

E eu apenas sei que não há nada além do vazio em nossos corações.

E eu apenas sei que o amor jamais se propagará no vácuo... 

2 comentários:

Fábio Lucas (Panda) disse...

Muito bom o texto *u* adorei o blog.
Abraços do Panda~ visita?! http://panda-blogueiro.blogspot.com.br/

Bruno Mello Souza disse...

Valeu pela visita, Panda!

Volte sempre!

E com certeza vou visitar o teu blog.

Abraço!