quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Amarelinha

Aquelas crianças na rua ainda correm e brincam.

Elas não estão preocupadas com a miséria do amanhã.

Vivem no inferno, mas não conhecem o paraíso.

Por isso, elas ainda riem.

A poeira vem de cima, tossida por senhores sem rosto.

Aqui embaixo, panelas vazias recolhendo restos mal digeridos por homens sem alma.

Da casa aos pedaços, berros e quebradeira.

Mais uma garrafa para selar aqueles destinos.

Raiva e dor lá dentro, e aqui fora, o que restou de inocência e amor.

Giz branco misturado à terra do chão batido.

Entre pulos e números daquela brincadeira despretensiosa, a única forma de chegar ao céu.

4 comentários:

Mariazita disse...

Bom dia, Bruno
Gostei imenso de teu texto, aliás, gosto imenso do que escreves, lançando um olhar muito perspicaz sobre as coisas, sobretudo as gentes, que te rodeiam.
É muito bom ler-te.
Infelizmente não disponho de muito tempo para poder vir mais vezes... :(

Um grande beijinho

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelas palavras, Mariazita!

B. disse...

Nós somos tão ingratos. Há tantas pessoas pobres e miseráveis por aí, que conseguem colocar um sorriso no rosto através de coisas pequenas que para nós, são insignificantes. Precisamos transformar essa nossa forma de olhar e trazer a humildade para a nossa alma.

Bruno Mello Souza disse...

Muito verdade, B.

Beijos.