sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Pés e asas

Todos que partiram não conheceram o amor.

Seus ossos estão quebrados, estou pronto para colá-los.

Uma existência pintada em quadros, colorida e exótica beleza.

Coloque sua dor e seu sangue dentro da moldura.

Procure seu melhor ângulo, levante-se e caminhe.

Quando você se entregou, não deixou que lhe sugassem a alma.

Sim, você amou até as profundezas do oceano, e abriu mão de todo o orgulho vazio.

Tudo o que conheceu, tudo o que experimentou, a grandeza que presenciou, e todos os sabores e texturas em sua boca, aumentaram sua força. 

Ainda assim, consumiram-lhe, pois nunca há limite para este dilacerante e incontrolável desejo profano. 

Sempre vão querer mais espaço, até que você se sufoque, até que seu coração exploda, manchando as paredes.

Tragédia interior, fraternidade desleal, miséria humana imperdoável.

Esqueça seus pés, abra-se para o mundo, ponha suas asas em movimento.

Os lençóis estão tingidos em vermelho, apenas mais uma brincadeira de mau gosto.

Da morte, surgiu a vida que poucos sabem verdadeiramente apreciar.

Acolha a liberdade entre seus braços, seja uma parte desta revolução daqueles que apenas querem sentir e se expressar.

Quando seu corpo se desmanchar lentamente, seja mais leve que o ar.

E quando seus pulmões estiverem à beira da desistência, respire fundo pela última vez.

Parta feliz para nunca mais regressar.

Hoje, estou apenas apreciando tudo o que você criou, expondo suas entranhas na praça pública da vida.

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