terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Fim da gincana

Um, dois, três ou mil, conte os tiros que ouve ao redor.

Você sangra, renda seu corpo.

Um, dois, três ou mil, conte os insultos que ouve lá fora.

Seu espírito arde, venda sua alma.

Ninguém pode entender quando você está preso em si mesmo.

Ninguém pode salvá-lo quando você padece sorrindo.

Hoje é cedo demais, feche os olhos até que a tempestade passe.

Amanhã será tarde demais, não há como explicar.

Eles escutam, mas não conseguem ouvir.

Eles olham, mas não conseguem enxergar.

Eles vivem, mas não conseguem entender.

Bem no meio do palco, a estrela brilha, dona de si.

Bem no meio do palco, a estrela se apaga, algemada a algo que nunca foi.

Estamos num jogo de disfarces, com rostos que não transparecem suas dores.

Estes sorrisos forçados são a imagem dos piores pavores.

Tantos são os corpos que estão se expressando, sem qualquer direção, mas com passos milimétricos.

E toda essa verdade foi apenas uma invenção cômoda.

Um, dois, três ou mil, conte os mortos no chão.

Chegamos ao fim da gincana.

Um, dois, três ou mil, olhe para o espelho.

E conte quantas vezes você já morreu...

2 comentários:

Fernando disse...

Olá Bruno
Que gincana é essa hem rs
Parece o retrato da gincana da vida

abraços

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Fernando!

Muito obrigado pela visita e pelo comentário.

Abraços.