quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Estrondo e silêncio

Estou com os dentes cerrados, é meu clichê favorito.

Fiquei muito à margem, preciso banhar-me com sua sapiência.

Sei mais do que você sobre aquilo que você é e sente.

Diga-me alguma coisa vazia, violente-me com perícia.

O que falo é sagrado, posso definir os farsantes e os profetas.

Não estou disposto, lasco pedras, é isso que faço.

Comprei uma máscara nova, combinando com minha fantasia conveniente.

Meu rosto está suando em bicas, cale-se e traga um copo d'água.
   
Vou libertá-lo agora, deixe-me trocar suas correntes.

Estou cansado, deixe-me apenas cair e beijar o chão.

Agradeça-me, sou o bem que sempre domina.

Abaixo minha cabeça, estou ajoelhado.

Sou tudo o que você deve amar, ensino-lhe aquilo que você deve odiar.

Permita-me que me iluda, estou confortável nesta posição.

Vou moldá-lo, exatamente como quero.

Serei diferente, essa é a origem do meu prazer.

Sou a fonte de tudo.

Sou o resíduo ignorado.

Sou o sagrado.

Sou o profano.

Sou o vinho.

Sou o sangue.

Sou o rei.

Sou o mendigo.

Sou o leitor.

Sou o analfabeto.

Sou o estrondo.

Sou o silêncio.

2 comentários:

Mariazita disse...

Bom dia, Bruno
A minha modesta incursão no campo da poesia deu origem a um post que publiquei hoje, dia 30.
Devo continuar? É melhor desistir? Qual é a tua opinião?
Aguardo-te na minha «CASA», para te pronunciares…
Obrigada.
Beijinhos

PS - Gosto de ler suas reflexões.
Às vezes revelam uma pessoa bastante preocupada, mas... a vida é preocupante, mesmo!

PS, PS - POR FAVOR retire essas letras para provar que não sou robô ... São tão antipáticas :)

Bruno Mello Souza disse...

Oi, Mariazita!

Vou ler a tua poesia com muito prazer.

Quanto às letrinhas, são necessárias, pois em um dado momento havia um spammer que lotava o blog de "comentários" descontextualizados.

Beijos.