quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Casa de repouso

Era um distante mês quente de janeiro.

Eu era tão jovem, descobrindo a mim mesmo.

Hoje sou tão velho, e sei tudo da vida sem poder vivê-la.

Eu pensava, e pensava, e pensava...

Hoje mal consigo lembrar meu nome completo. 

Eu respirava um ar tão puro, e com tanta facilidade!

Mas hoje fico ofegante ao subir uma escada.

Minha pele, marcada pelo tempo, denuncia tudo o que não fui.

E daquele tempo em que tinha sonhos, o que ficou?

E dos dias de hoje, em que apenas sinto sono, o que restará?

Estou abandonado, mas não estou sozinho.

A moça que troca os meus lençóis estava mal humorada, me fez sentir tão inútil!

Meus filhos, onde estão?

Faz tanto tempo que não os vejo...

Todo santo dia lhes espero enquanto observo a grama crescer.

Talvez o dia seja hoje, por que não?

Os minutos não passam, rastejam, mas meu relógio parou há muitos anos.

O sol desaparece lentamente, apaga-se em minhas entranhas também. 

Acabou-se o horário de visita, ainda estou aqui.

Mais uma vez, anoiteceu.

4 comentários:

Fernando disse...

Olá Bruno
Nossa como a velhice pode ser sinistra né. Hoje não temos tempo pra nada e depois temos todo o tempo do mundo e não podemos fz mais nada. Tenso pensar nisso.
Grande abraço
Blog Fernu Fala II
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Bruno Mello Souza disse...

Verdade, Fernando.

Obrigado pela participação!

Abraços.

B. disse...

Seu texto é dolorido e relata bem a angústia e amargura que a terceira idade traz à maioria das pessoas. Aqueles que são esquecidos e desvalorizados. Aqueles que fazem da solidão a melhor amiga.

Bruno Mello Souza disse...

Oi, B.

Muito obrigado pelo comentário.

Beijos.