terça-feira, 5 de novembro de 2013

O tiroteio

Tudo estava tranquilo enquanto comprávamos peixes e alguns legumes naquele mercado.

Mas rapidamente, seguido por um burburinho, chegou o caos.

Tiros e o barulho característico de multidões em pânico fizeram a trilha daquele momento.

Fiquei atônito, parado, sem reação, no momento em que o amigo que me acompanhava gritou: "Te abaixa!", colocando-me, de solavanco, no chão, cobrindo a cabeça com as mãos.

Aguardamos, ali, alguns intermináveis segundos, e acompanhamos, então, correndo, o fluxo da multidão.

Havia dispersão, e o ambiente, outrora um tanto familiar e simples, tornara-se um indecifrável labirinto.

Corríamos, e corríamos, e corríamos, sem chegar.

O desespero pela sobrevivência nos torna atletas de primeiro time.

Me perdi de meu amigo, e não me restou nada que não fosse correr mais e mais.

Ao chegar a uma escadaria relativamente grande, dos fundos do mercado, me deparei com a luz do dia, emoldurada por uma série de enfeites belos e delicados.

Havia, ali, um casamento, em pleno andamento, com noiva, noivo, padre, padrinhos, pais e convidados.

Tentei passar imperceptível, enquanto a marcha nupcial tocava.

A bem da verdade, acho que me notaram, sim.

Mas isso era o que menos importava.

Alcancei a rua.

A correria era generalizada, havia fumaça e um ensurdecedor barulho de dezenas de sirenes.

Vi um policial correndo atrás de um rapaz.

Talvez fosse aquele rapaz o provocador de todo aquele caos maluco e surreal.

Eu caminhava, ainda tentando me encontrar, e à procura de meu amigo, de quem havia me perdido na fuga.

Um policial, em meio à fumaça cada vez mais densa, tomou-me pelo braço, perguntando se eu estava bem.

Foi aí que tive a séria sensação de que o pesadelo talvez estivesse apenas começando.

2 comentários:

Fernando disse...

Olá Bruno,
Nossa quanta tensão rs.
Agora "O desespero pela sobrevivência nos torna atletas de primeiro time", super fato. Espero nunca passar por isso.

gde abrsss
Blog Fernu Fala II
Meu Twitter @fernu
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Bruno Mello Souza disse...

Olá, Fernando!

Muito obrigado pelo comentário e pela visita.

Grande abraço.