sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Contra o tempo

A corrida contra o tempo é sempre atordoante.

As palavras mais importantes ainda não foram ditas, eu sei.

Estou partindo, mas estarei de volta, pois conheço meu lugar e aquilo de que preciso.

Tanto se passou, tão pouco falta, e agora sinto vontade e angústia misturadas.

Estou explodindo calmamente.

Vejo algumas coisas, mantenho a mente alerta.

O que é mentira, o que é verdade, não sei.

Tempo, fique aqui cuidando de mim.

Não deixe a escuridão preceder a morte.

Pesadelos são reais, mas não esqueci o sentido daquele sonho.

Sonhos são reais, mas não esqueci o sentido daquele pesadelo.

Estarei mais velho, mas serei novo, nascido para uma vida diferente.

É tudo o que sinto com o mundo em minhas mãos.

É tudo o que sinto com minha existência evaporando, fugaz e solenemente maior que o universo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Looping

Foguete lançado, movimentos imprevisíveis.

Tremores e calafrios, a vida ficou tão pequena.

Não há amanhã, não há futuro enquanto a alma não descansa.

O limite da sanidade é uma linha tênue e imperceptível.

Looping interminável, hora que não passa.

Nenhuma ideia retida na mente, a lógica está mais aleatória do que nunca.

Realidade, delírio, realidade, delírio.

É reconfortante ver o sol entrando pela janela.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 1ª posição: Lúmpen

Fechamos o especial de 5 anos do DC com o melhor texto do blog neste último ano, publicado em 5 de junho de 2013.

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Cabelos sujos, roupa em farrapos, chinelos velhos.

Unhas pretas, pele cascuda, cheiro de intestino solto.

Ele é um câncer que cresce a cada dia nas ruas molhadas de urina.

Ele está gritando alucinadamente para pessoas que não lhe ouvem, apenas estranham.

Sim, ele é uma verdade inconveniente.

Em sua mão rude e encardida, uma garrafa cheia de dor, angústia, desespero e revolta.

39%, teor de ódio por um mundo que lhe despreza.

Suas palavras aleatórias são o sopro de lucidez.

Desgraçada e miseravelmente livre para perambular sem destino.

Leiloando sua alma por alguns centavos, em busca de alento na noite fria.

Ele é a nossa derrota, a nossa falência, o sintoma de uma doença letal que corrompe a nossa capacidade de sermos humanos.

domingo, 15 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 2ª posição: Só estudando

A medalha de prata dos melhores textos do último ano no DC fica com um texto publicado em 27 de setembro de 2012.

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Dois amigos se encontram na rua:

- E aí, Leandro? Como vai?
- Opa, Jeferson! Tudo bem! E contigo?
- Tudo tranquilo. O que você anda fazendo?
- Ah, tô fazendo o doutorado, entrei esse ano.
- Hum... E tá só estudando?
- Sim, sim! Tô só estudando. Só revisando bibliografia para a tese. Só articulando o problema de pesquisa com a metodologia. Só lendo mais de 100 páginas por semana para as disciplinas que tô cursando. Só estudando para a proficiência em língua estrangeira. Só escrevendo uns quatro artigos por ano. Só apresentando trabalho em dois, três seminários por ano. E vou ter que só escrever uma tese de duzentas páginas, só fazer uns relatórios, e só fazer meu estágio docente no ano que vem.
- Hum...
- E você? O que anda fazendo da vida?
- Er... Eu? Ah... Eu tô só trabalhando, mesmo...

sábado, 14 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 3ª posição: Carpinejar dá dicas de comportamento na internet

No terceiro melhor texto do especial de 5 anos do DC, publicado em 23 de setembro do ano passado, Carpinejar dá dicas quentes de como se portar na rede.

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- Amigos do DC, estamos aqui mais uma vez com o Carpinejar, que vai nos dar algumas dicas de comportamento na internet... Carpinejar, primeiramente, quais as principais diferenças entre as redes sociais, mais especificamente Twitter, Orkut e Facebook?
- Twitter. Caracteres limitados. Palavras pela metade. Diz-se pouco. O pouco que é o muito esvaziado. Facebook. Cutucada. Compartilhamento. Seda que se rasga em um comentário. Estrela que cintila em forma de curtida. Orkut. Passado ainda presente. Mas esquecido. Flor que murchou. Cicatriz escondida.
- Sim... Bom, e a exposição das pessoas nessas redes sociais? Como você acha que isso deve se dar?
- Exposição. Rosto à mostra. Loucura que se esconde e disfarça. Anjos com toque suave. Imagem e transparência. O desabrochar de um novo tempo.
- Uhum... Você acha que estas redes sociais podem, de alguma forma, isolar as pessoas do mundo? Como você encara essa simultaneidade paradoxal de interação permanente e insulamento em frente a uma tela de computador?
- Redes. Captura. Pequenos peixes nadando no mar. Suave tecido que nos envolve. Gostosa sensação sadomasoquista. Navegador canalha. Chrome, que não é Explorer. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Deliciosamente canalha, como uma palavra que escorre pelo canto da boca. Morango com açúcar.
- E a velocidade de circulação de informações? A gama é maior, mas ao mesmo tempo, tudo deve ser melhor analisado e filtrado... O que você pensa a respeito?
- Velocidade. Veloz. Cidade. Atração cibernética. Somos espectros. Sombras permeando um ambiente claro e escuro. Indo. Vindo. Mastigando o algodão doce da ilusão. Nuvem rosa. 
- Ok... Muito obrigado, Carpinejar, por mais essas dicas. Até uma próxima!
- Próxima. Proximidade. Distância que encolheu. Dia que virou hora. Chapolim depois da pílula. Delicada transformação. Nuance que me invade e se esvai com o vento.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 4ª posição: Bial abordado pelo tio das pastilhas

O quarto colocado no especial de 5 anos do DC foi publicado no dia 19 de setembro do ano passado.

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- Ô, seu Bial! Vai uma balinha hoje pra ajudar o amigo? 
- Oh, ilustre tio das pastilhas! Sabor de hortelã que invade não só a minha boca, a minha língua, como todos os meus sentidos! Oh, amigo das balas, sou também teu sobrinho nessa permanente aventura do viver. Assim andamos, por esse Campus do Vale, com tanta magia, tanto encanto, tantos duendes que só os homens de pouca fé e de pouca erva não conseguem vislumbrar! Somos, então, essa configuração demasiadamente imperfeita e incompreendida em carne, osso e hortelã. E goma, também! Ah, amigo! Bala de goma, sabor de infância! Como um doce abraço da mãe natureza que nos oferece o dom da visão do mais belo céu, e a bênção de ouvir o canto encantador dos pássaros nestas árvores que nos circundam! Oh, tio das pastilhas, homem de tão exótica beleza, de tão profunda sapiência, de tão prático e sagaz conhecimento da lei da oferta e da procura, diga-me: afinal, o que somos agora, neste exato momento que corre por entre nossos dedos? 
- De hortelã? Tem sim! Pro senhor eu faço três por quatro real. Sabe como é, né, final de mês, tá difícil pra todo mundo...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 5ª posição: Das belezas ocultas

O quinto melhor texto do ano que se passou no DC foi publicado no dia 24 de junho de 2013.

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A garota estava sentada sozinha com seu notebook, como todos os dias.

Ela é diferente demais para um mundo de iguais.

Alguém poderia querer colocá-la numa jaula.

Seres desumanos estão espalhados por aí como uma praga que faz este mundo adoecer.

Se eu fosse ela, eu choraria.

Mas ela sorri.

Se eu fosse ela, eu me lamentaria.

Mas ela mantém um lindo brilho nos olhos.

Se eu fosse ela, eu já teria ido embora.

Mas ela insiste em ficar, ela insiste em viver.

Não, ela nunca será aceita.

Mas é tão bonito vê-la apreciando a vida a seu modo.

A natureza lhe odeia.

Mas ela não faz disso um motivo de tristeza, pois ama sua natureza.

Fiquei feliz com seu riso, com sua alegria em existir, a despeito dos deboches da existência.

Olhares atravessados, de espanto, nojo ou piedade vazia parecem não lhe abalar, e que assim seja sempre.

Ela é um espírito bonito, espírito leve, que supera suas dificuldades com o dom de encarar os dias como se fossem focos de luz.

Não, ela não é medonha.

Medonhas são as almas pobres que não notam a inexplicável e indescritível beleza daquela existência singela e superior.

Não, ela não é uma aberração.

Aberração é a feiura de corações tão rasos que não possuem sensibilidade para discernir o que realmente é importante e maravilhoso em um ser humano.

Ela nunca saberá, mas estive sorrindo com ela.

Ela nunca saberá, mas meus olhos brilharam ao ver o brilho nos olhos dela.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 6ª posição: Cartão de crédito

Recusar um cartão de crédito pode ser mais difícil do que se imagina... Fiquem com o sexto colocado no especial de 5 anos do DC, originalmente publicado no dia 21 de novembro do ano passado.

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- Alô, bom dia!
- Bom dia!
- É da casa do senhor Renato?
- Sim, é ele mesmo quem está falando.
- Ótimo, senhor Renato. Meu nome é Viviane e gostaria de lhe fazer uma proposta. O senhor já tem o cartão de crédito Vaza?
- Não...    
- O senhor não gostaria de tê-lo?
- Hum... Não...
- Sério?
- Sim, sério. Não quero.
- Mas... Por quê?
- Sei lá... Simplesmente não quero.
- Tá... Mas qual o motivo?
- Porque não, ué.
- "Porque não" não é resposta.
- Eu tenho que ficar me explicando agora?
- Claro! Todo mundo gosta do nosso cartão. 
- Não é questão de gostar ou não gostar, minha querida. É questão de querer ou não querer.
- Mas se o senhor gosta, por que não quer?
- Eu não disse que gosto.
- Então não gosta!
- Isso não interessa! Apenas não quero essa porcaria!
- O que a gente fez pro senhor, hein?
- Nada, moça! Vocês não fizeram nada!
- Fala pra mim! Não adianta nada deixar essas coisas guardadas! Eu sei que o senhor já teve o nosso cartão e cancelou! Sem dar nenhuma explicação!
- Deixa pra lá... O que passou, passou...
- Fala pra mim o que houve... Pelo amor de Deus!
- Ah... Deixa pra lá...
- Fala! Fala! 
- Ah... É que uma vez a fatura veio errada... Cobraram umas taxas indevidas...Foi melhor cancelar... Acredite em mim!
- Mas dessa vez nós vamos mudar! Prometo! Por favor! Dê mais uma chance pra isso dar certo!
- Não, não... Melhor não...
- Lembra daquela tv que você comprou no nosso cartão? E aquele jantar? Será que você já esqueceu de tudo isso? Será que nada disso tem valor? É isso mesmo?
- Poxa, moça... Eu sei que foi bom... Guardo essas lembranças com carinho... Mas passou...
- O senhor tem outro cartão, né?
- Hein?
- Pode dizer! Pensa que eu sou boba! Tá achando que sou alguma idiota?
- Bom... Eu... Eu tenho o Monster Card...
- Viu só? Eu sabia! Eu sabia! Cachorro! Aposto que não tinha passado nem um mês do cancelamento do nosso cartão!
- Na verdade eu tinha os dois desde antes...
- Canalha! E agora vem dizer isso!
- Mas...
- Cachorro! Vagabundo! Andou comprando muitas coisinhas, é? Tablet, geladeira, vídeo game? O que mais, hein? Com o nosso cartão era um parto pra comprar alguma coisa de mais de cem reais! Fica com a porcaria do seu Monster Card! Vou encontrar o primeiro pobre da rua e oferecer o nosso cartão! Você vai ver só!
- Bom... Faça isso!
- Eu te odeio! Te odeio! Não me procure mais!
- Mas... Foi você que me ligou...
- Canalha! Crápula! Você não merece os nossos cartões, mesmo! Meu Deus, que estúpida que eu fui de querer te oferecer os nossos planos de novo! Até nunca mais!
- Tá bom... Tchau... Boas vendas...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 7ª posição: Impressões de um fim que não ocorreu

O sétimo melhor texto do ano que se passou no DC foi publicado no dia 13 de janeiro.

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Bolas de fogo caem nesse momento do céu, estrelado e em fúria.

Todo amor e todo o ódio agora perdem o sentido.

Há forças muito maiores do que nossos vãos sentimentos e nossas ingênuas explicações.

Estamos de mãos dadas, observando a dor e o desespero na rua.

Muitos correm e gritam por socorro, como se houvesse alguma esperança de sobrevivência, como se Deus pudesse ouvi-los e salvá-los daquele horror indescritível.

Algumas crianças ainda brincam, correm, e com os olhos brilhando, olham para cima, sem medo.

Daqui de dentro, observando pela janela, já não esperamos nada, porque estamos submersos na inevitabilidade deste momento.

Choramos, sorrimos, e chegamos ao ápice.

É tudo muito forte, muito grande, muito poético.

Partir dessa forma não tem preço.

Não imaginava que o fim seria tão bonito...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 8ª posição: Apenas siga

O oitavo melhor texto do especial de 5 anos do DC foi publicado no dia 23 de julho deste ano.

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Pelos que ficaram pelo caminho.

Pelos que já morreram.

Siga caminhando, siga em frente.

E se tropeçar, não desista.

Imagens coloridas ou em preto e branco podem ferir com a mesma intensidade.

Se você sente frio, é porque conhece o calor.

Se o seu coração está pesado, é porque ele ainda pulsa.

E se você sente dor, é porque ainda está vivo.

Então não pare, amigo.

Mesmo que seus pés doam, mesmo que as pernas não aguentem, dê mais um passo.

Mesmo que a solidão pareça levar-lhe à insanidade, caminhe mais. 

Em algum ponto da estrada, você encontrará algo que dê sentido a tudo isso.

Vá mais longe, reúna toda a potência do espírito.

Chegue ao fim, e quando voltar, conte-me suas histórias.

Se precisar, deite um pouco no chão frio, mas levante-se logo, e siga o rumo das estrelas.

Apenas siga.

Pelos que já morreram.

Pelos que ficaram pelo caminho...

domingo, 8 de setembro de 2013

DC extra: Resultado final do sorteio de camisa e dvd oficiais do Inter

Amigos leitores do DC, conforme as normas anteriormente estabelecidas, divulgo o número sorteado no primeiro prêmio da extração número 04795, de 7 de setembro de 2013 na Loteria Federal (extração que ocorreu excepcionalmente no dia 6, devido ao feriado):

82.097

Como não houve correspondência dos números apresentados pelas concorrentes (25.842, de Cíntia Viviane Ventura da Silva; 17.021 de Divanyr Leite Rodrigues), de acordo com o primeiro critério, passa a valer o critério de desempate, ou seja, a ordem de apresentação da inscrição. E, a partir deste critério, a camiseta e o dvd do Internacional serão destinados a Cíntia Viviane Ventura da Silva, que se inscreveu no dia 17 de agosto de 2013, às 15 horas e 37 minutos.

Parabéns à ganhadora, e segue a campanha, para todos que puderem ajudar.

Como ajudar?

O teste de compatibilidade para doação de medula óssea pode ser feito no hemocentro da sua cidade. O pré-requisito para o doador é ter entre 18 e 55 anos. No local, será coletada uma quantidade de 5 ml de sangue, pelo braço, e o potencial doador preencherá uma ficha de informações pessoais. Após isso, o sangue será tipificado por meio de exame de histocompatibilidade (HLA). Os dados serão cruzados com os dos pacientes que necessitam do transplante de medula.

Uma vez que tal compatibilidade seja encontrada, haverá a necessidade de novos exames de sangue. Se esses exames corroborarem a compatibilidade, o potencial doador será consultado para confirmar o desejo de realizar a doação.

5 anos de Dilemas Cotidianos- 9ª posição: Dentadura no copo d'água

O nono colocado do especial de 5 anos do DC foi publicado em 13 de agosto desse ano.

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A pele dele está vermelha do sol.

Ela está enrugada e flácida pelo tempo.

Mas você ainda precisa de alguma vantagem daquele velho pedante.

Vá ao banheiro antes do próximo programa.

Eu sei que você pode, enfie o dedo na garganta pra facilitar, garota.

Deixe-se invadir, deixe-se morrer mais um pouco.

Seu corpo é a porta do paraíso, ele tem o cartão, ele destrava quando quer.

Oh, mas ele não consegue levantar!

Oh, segure o riso, isso é tão indelicado!

Oh, ele comprou o seu lugar no céu e deve desfrutá-lo!

As coisas ficam mais nítidas quando tiramos as lentes da sanidade.

E ele está feliz, veja o sorriso.

E ele está contente, olhe a dentadura no copo d'água.

E ele está em suas mãos, apreciando todas as bobagens.

Oh, isso tudo é mentira!

Oh, ele é tão ingênuo!

Oh, ele apenas é feliz!

Não, eu nunca disse isso.

Não, não é o que parece.

Não é apenas coincidência.

Ops, não era isso, desculpe-me.

Agora sim, com tudo no lugar, prepare-se para a frase correta.

Não, é apenas coincidência!

sábado, 7 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos- 10ª posição: Princesa à beira do abismo

O especial de aniversário do DC começa com um texto publicado no dia 21 de maio deste ano. Fiquem com "Princesa à beira do abismo", o décimo melhor texto do blog no último ano.

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Sozinha no final da noite, ela fita o espelho.

Batom vermelho espalhado pelo rosto.

Seus olhos observam um vulto.

Está assombrando a si mesma, com toda a sua miséria.

Ela é o encanto que foi jogado no lixo.

Ela é o desencanto de todos os seus dias.

Não sabe quantos minutos faltam.

Mas corre e tropeça num pedaço de sentimento jogado no chão escuro.

Rastejando e vomitando como uma princesa à beira do abismo.

Esperando um príncipe com cheiro de fezes de cavalo.

Quer apenas um beijo que a adormeça.

Algum acaso que sirva para a fuga.

Espera por um traço de euforia e excitação que deixe sua cabeça um pouco mais dormente.

Ela desconhece o amanhã.

Ela quer apenas desaparecer, como sempre...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

5 anos de Dilemas Cotidianos

Hoje, 6 de setembro de 2013, o DC está completando 5 anos de existência.

Meia década não é pouca coisa.

Já considero o DC como um grande amigo, querido, sem o qual hoje é difícil me imaginar.

Gosto muito desse espaço aqui.

É um exercício de liberdade.

Ele vai mudando comigo.

Não é um blog de humor.

Não é um blog de esporte.

Não é um blog de poesia.

Não é um blog de crônicas.

Mas é, ao mesmo tempo, tudo isso.

É, inegavelmente, um pouco de mim.

Aqui, não tenho compromisso com nada.

Talvez, nem comigo mesmo.

E isso é uma delícia.

Simplesmente escrevo o que sinto, o que penso, o que tenho vontade de escrever.

E, por mais que possa parecer complexo, aquilo que tenho vontade de escrever nem sempre se coaduna com o que sinto ou penso.

Essa vontade por vezes transgride a mim mesmo, adquire uma força espantosa que me atravessa e me desafia.

Aqui, não a contenho; permito seu extravasamento; dou-lhe vida e alimento.    

É uma liberdade da qual faço questão.

Meus anjos, meus fantasmas, meus demônios, também se manifestam aqui. 

E não são poucas as vezes em que chego a invejá-los um pouco, a admirá-los, tão mais livres do que eu, e ao mesmo tempo, aprisionados em mim mesmo.

É essa amplitude, esse descompromisso, essa gama de possibilidades que dou a mim mesmo, que me fazem ter tanto prazer em escrever aqui.

Agradeço, nesse aniversário, a todos aqueles que lêem, prestigiam e de alguma forma, mesmo que por um dia, em um texto, em uma linha ou em uma frase, se identificaram com o que aqui escrevo.

Em comemoração a esta data, nos próximos dias teremos o já tradicional especial de aniversário do DC, com os 10 melhores textos do blog no ano que se passou.

Estão todos convidados a acompanhar.  

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Estrago

Renato Gaúcho era o Alex Ferguson dos pampas.

O estrategista, o motivador inconteste, o gênio, o líder.

Houve quem traçasse um paralelo com Nelson Mandela.

Agora, ao abrir o site pertencente ao mesmo grupo de comunicação após uma derrota, me deparo com uma realidade diferente nas manchetes.

"Renato apequenou o Grêmio".

"Renato foi abatido pela vaidade".

O espaço de tempo, curtíssimo, rebaixou Renato de Ferguson a Joel Santana.

Que estrago uma semaninha pode causar, hein?

Quanta diferença!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pedaço do apocalipse

Já está tarde e frio.

Calçada molhada, risadas, sussurros.

Ele está deitado, coberto pelo vento que corta sua pele.

Mas nada disso importa.

Não, ele não faz parte da história.

Não, ele não tem nome, nem lar.

Sapatos bem lustrados andam a passos largos.

Há um charme naqueles transeuntes.

O ar gelado, fumaça blasé das bocas que nada têm a dizer.

Os trapos estão fora da última moda, embora alguns sintam prazer em vesti-los para criar uma imagem e adentrar o clube dos pés descalços e das unhas bem feitas.

Mas ele o faz por necessidade.

Não, ele não tem destino.

Não, ele não escolheu este enredo.

Coberto por jornais que não sabe ler.

Buscando calor nas manchetes e fotos de gente fria que apenas finge se importar.

Ele é um pedaço do apocalipse, uma fração recortada do mundo que o cerca.

Deixando as gotas purificarem o corpo e a alma que apodrecem sem que ninguém perceba.

Estão muito distraídos e ocupados.

São importantes demais para olhar para o chão. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Pós diversão

Escuridão na espera.

Não vejo nada, não preciso disso.

Uma delícia, mais um dia!

Que delícia, mais uma noite!

E qual a próxima brincadeira?

E qual o próximo deboche?

Venha rir, eu amo isso.

E estou rindo até explodir.

Cansado, mas amanhã nascerei novamente.

Tão cansado, mas amanhã morrerei novamente.

E não me importo com isso.

E não me importo com nada.

E quero apenas não querer.