quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dose errada

Eu menti que iria para a escola.

Tudo que eu podia fazer era ser livre.

E ficar na rua apodrecendo com os mendigos.

Cantando obscenidades para que todos ouvissem.

Falando da minha sanidade e dos remédios que não posso tomar.

Eu sabia como entender os ruídos.

Eu sabia como era estar em meio ao caos interior.

Cheiro de álcool e pus, intimidade criminosa e indesejável.

Perdendo tudo com um sorriso no rosto.

Desmoronando enquanto gargalhava.

"Não era nada", errei na dose.

"Não era nada", entrei em overdose.

Observe-me, estou me dissipando.

Despeça-se, pois agora estou voando para longe, muito longe...

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