sábado, 6 de julho de 2013

Solidão acadêmica

Estou sentado em frente à tela do computador.

O arquivo do Word, em branco, parece querer pular do monitor para me estrangular.

Observo com apreensão.

Preciso de um café, um chá, ou um copo de refrigerante.

Preciso de pelo menos uma página, um parágrafo, uma frase, talvez.

Giro na cadeira giratória.

Pra lá e pra cá.

Ando pela sala, adentro o quarto.

Vou ao banheiro, olho-me no espelho.

Volto à cadeira, observo a rua pela janela.

Qualquer bobagem que consuma mais trinta segundos é bem-vinda. 

E a ideia, o estalo, não vem.

Estou angustiado, aflito.

Procrastino mais um pouco, em busca da inspiração que não vem.

Um dia a mais é um dia a menos.

E, por mais que eu me dê mais um tempo, sinto o tempo escorrendo pelos dedos.

Silêncio, solidão acadêmica.

As horas não passam, e não sei se isso é bom ou ruim.

Tenho as ideias, mas faltam as palavras.

Tenho as peças, mas não tenho a caixa do quebra-cabeças.

Eis a vida que escolhi, tendo de vencer o cansaço mental e dar o algo a mais mesmo quando parece não haver nada mais para dar.

Quando as dez páginas forem cem, cento e cinquenta ou duzentas, encontrarei o meu deleite, disso eu sei.

Ninguém disse que seria fácil.

Mas sei que vou vencer a tela em branco.

Um cursor piscante é pequeno demais para me derrubar.

2 comentários:

B. disse...

Pois, ando me sentindo meio assim. Não é a falta de inspiração, mas talvez o ócio que me impossibilita de fazer algo produtivo.
Mas, meu amigo, se teu sonho consiste em escrever um livro, vá em frente, porque os empecilhos são pequenos perto de sua vontade.

Bruno Mello Souza disse...

Oi, B.!

Pois é, guria, o que tá me afligindo é a tese de doutorado. Ela não tá andando no ritmo que quero, e isso me deixa bem aflito.

E fica tranquila, que as coisas vão andar contigo. Na verdade, isso são fases, ondas pelas quais a gente passa. É normal.

Beijos.