sexta-feira, 26 de julho de 2013

Abrindo a janela

Estava sozinho no escuro.

Tinha medo da claridade.

Estava sobrevivendo sem risos.

Mas tinha medo das lágrimas.

Horas vazias lhe poupavam do risco de sofrer.

E se fizesse algo, sabia que poderia se machucar.

Estava deitado na cama.

Tinha medo do movimento.

Estava em silêncio, isolado de todo e qualquer barulho.

Tinha medo de que os sons da rua pudessem lhe ensurdecer.

Até que um dia, cansado da monotonia, abriu a janela.

Deixou o sol invadir o quarto.

Colocou o rosto na rua.

Cantou uma música de infância.

Sorriu.

Deixou uma lágrima descer pelo rosto.

Respirou fundo, permitindo que o ar tomasse por completo os seus pulmões, como nunca antes em sua existência.

E morreu.

Mas, finalmente, viveu.

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