sexta-feira, 28 de junho de 2013

Panfletos

O sol forte está batendo no rosto.

O volume de folhas não diminui quase nada.

Não há tempo para sentir frio ou calor.

Não há tempo para um copo d'água.

Sinaleira fechada.

Janelas fechadas.

Portas fechadas.

Algum destes rostos fechados poderia fazer o imenso favor de vê-lo, mesmo sem lê-lo?

As solas dos seus pés estão doendo imensamente.

E ao final do dia, alguns trocados serão a recompensa.

As pilhas são novas, mas o ponteiro recusa-se a avançar.

Há muitas horas pela frente.

Aquilo que vejo é suor ou lágrima?

Aquilo que vejo é cansaço ou desespero?

Mas ele tem que permanecer firme em meio ao monte de latas indiferentes.

Precisa se deixar explorar um pouco mais, para comer algo à noite e voltar à sinaleira no dia de amanhã.

2 comentários:

B. disse...

As vezes fico pensando no sofrimento dos panfleteiros, sério. São circunstâncias muito desumanas.

Bruno Mello Souza disse...

Pois é, B. É um negócio muito complicado, hoje vi uma senhora já bem desgastada, naquela situação um tanto insalubre, e fiquei pensando sobre isso.

Triste.

Beijo.