quarta-feira, 26 de junho de 2013

O retorno do filho

Estive viajando por um longo tempo.

Estive conhecendo outros lugares, fora e dentro de mim mesmo.

Vivi experiências inigualáveis e então voltei.

E então reencontrei este lugar que não muda e jamais mudará.

Estive procurando um caminho que levasse à verdade.

Estive falando com pessoas que tinham coisas parecidas para compartilhar.

Gostei dos sabores que provei.

E então reencontrei o mesmo lugar, que não muda e jamais mudará.

Há mais sujeira nas calçadas.

Há mais sujeira nos gestos.

Há mais angústia nos becos.

Há mais angústia nas almas.

Há mais dor nos sorrisos.

Há mais dor nos corações.

Há menos humanidade no ar.

Há menos esperanças nos dias que virão.

E há mais solidão na poeira acumulada.

E há menos paz nesta intensa monotonia.

E há mais cinza no céu outrora ensolarado.

E há menos brilho nos olhos que vejo na rua.

E há mais reticências e silêncios do que gritos e exclamações.

E há menos vida nas flores e árvores, com o vento soprando melancolicamente.

Estive longe por um longo, muito longo tempo.

Estive expandindo horizontes até então estreitos.

Ganhei muito mais do que perdi.

E então reencontrei a mim mesmo.

Eu não mudei, e jamais mudarei...

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