sexta-feira, 7 de junho de 2013

Não-ser

Ele escreveu "Ajudem-me!" no vidro do quarto, mas ninguém pôde ler.

A poeira tomou conta da sua estimada coleção de latinhas.

Não conseguiu mais tentar ser, então dedicou-se a virar um não-ser.

Ele esteve enfurnado o quanto conseguiu, pelo resto dos dias.

Sem palavras ou expressões, sem gracejos ou falsas ideologias.

Dentro de um cubículo, dentro de seu mais absurdo caos interior.

Calmo demais para explodir.

Agitado demais para adormecer.

Jamais havia estado tão profundo, tão intenso, e com tanta vontade morta apodrecendo em seu estômago.

O chão é o limite.

Vomitou o próprio coração, emporcalhou o ambiente.

E tantos anos depois, aquele "Ajudem-me!" permanece escrito na janela.

2 comentários:

B. disse...

Ver alguém nessa situação ou estar nela, é muito doloroso. E eu fico pensando que o mundo está cheio de pessoas sofridas assim. Tenho medo do caos que isso está virando.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelo comentário, B.!

Beijos.