sexta-feira, 21 de junho de 2013

Momento de definir rumos

O imenso movimento popular brasileiro que tomou as ruas nos últimos dias parece ter chegado a um momento crucial.

Chegou a hora de definir rumos, e isso já está sendo feito pelo MPL, que originou toda a mobilização (http://www.rodrigovianna.com.br/geral/esquerda-x-direita-na-avenida-paulista-mpl-denuncia-ares-fascistas-em-sp.html).

Sou a favor de que, quanto mais, melhor.

Desde que a agenda não seja contraditória, e até que haja discordâncias substanciais e insuperáveis.

Os próprios manifestantes "contra a corrupção" são bem-vindos num momento inicial.

Engrossam o caldo, ainda que um tanto alienadamente.

Mas agora alguns rumos parecem estar se esclarecendo.

Estes grupos "contra a corrupção" escolheram seu alvo, e parecem ter escolhido seus objetivos (ou ao menos foram induzidos a fazer estas "escolhas").

Adotam postura antidemocrática.

Começam a apregoar, ainda timidamente, um golpe de Estado, a derrubada da institucionalidade existente.

É nesse momento que rupturas em relação ao movimento deverão ser feitas.

Trata-se da simples definição: "aquilo pelo que eu luto não é aquilo pelo que você luta. E nossas lutas tornaram-se inconciliáveis".

Todos que aderem à pauta são bem-vindos.

Pelo menos assim deveria ser.

Mas a pauta vai se refinando com o desenrolar dos acontecimentos.

É um processo esperado.

Oportunismo?

Há sim.

À direita e à esquerda.

O movimento não teve origem no poder mobilizatório dos partidos esquerdistas, embora tenha apresentado ali atrás traços ideológicos claramente de esquerda.

Tampouco nasceu do "senso cívico" e das patriotadas de Rede Globo e cia. limitada.

Em algum momento, esses lados agregaram-se à massa inicial, e exerceram diferentes pressões.

Em algum momento, estiveram na mesma fotografia.

Mas agora as pautas são diferentes.

É mais democracia, ou menos democracia que se quer?

É aprofundar a participação das massas, aperfeiçoar o existente, ou baixar uma ditadura que "salvará a pátria de todas as suas agruras"?

É mordaça ou megafone?

É construir ou destruir, afinal de contas?

O movimento, reitero o que venho dizendo, é louvável.

É muito melhor que a inércia.

Mas, democraticamente, chegou a hora de definir objetivos, delinear a agenda.

Que cada um escolha o seu lado. 

Os passos seguintes devem ser dados para a frente.

E não para trás, em direção a um passado obscuro que o Brasil não pode esquecer.

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