quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lúmpen

Cabelos sujos, roupa em farrapos, chinelos velhos.

Unhas pretas, pele cascuda, cheiro de intestino solto.

Ele é um câncer que cresce a cada dia nas ruas molhadas de urina.

Ele está gritando alucinadamente para pessoas que não lhe ouvem, apenas estranham.

Sim, ele é uma verdade inconveniente.

Em sua mão rude e encardida, uma garrafa cheia de dor, angústia, desespero e revolta.

39%, teor de ódio por um mundo que lhe despreza.

Suas palavras aleatórias são o sopro de lucidez.

Desgraçada e miseravelmente livre para perambular sem destino.

Leiloando sua alma por alguns centavos, em busca de alento na noite fria.

Ele é a nossa derrota, a nossa falência, o sintoma de uma doença letal que corrompe a nossa capacidade de sermos humanos.

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