domingo, 2 de junho de 2013

Kurt (2)

"(...) Mas essa ideia, e todas as outras fantasias que ele fazia para o futuro, voaram pela janela durante a primeira semana de novembro, quando Tobi rompeu com ele. Ele ficou arrasado; quando ela lhe deu a notícia, mal conseguiu ficar em pé. Nunca havia levado um fora de namorada e sentiu-se péssimo com aquilo. Ele e Tobi haviam saído durante menos de seis meses. Tinham sido encontros casuais, sexo casual e namoro casual, mas o tempo todo ele esperava que uma intimidade mais profunda estivesse se aproximando. Ele regrediu ao velho padrão de internalizar seu abandono e seu autodesprezo. Tobi não o deixara porque ela era jovem, e sim, segundo Kurt imaginou, porque ele não a merecia. Ele ficou tão nauseado que, uma semana depois, ajudando Slim a fazer sua mudança, ele teve de parar o carro para vomitar.

Na esteira do rompimento, Kurt se tornou mais taciturno do que nunca. Encheu um caderno inteiro com disparates que lhe passavam pela cabeça, muitos deles violentos e angustiados. Ele usava a escrita, a música e a arte para expressar seu desespero, e com sua dor compunha canções. Algumas delas eram canções loucas e iradas, mas representavam ainda outro nível de sua arte, já que a raiva não era mais clichê e agora tinha uma autenticidade que faltava a seu trabalho anterior. Essas novas canções eram cheias de remorso, súplica, raiva e extremo desespero. Nos quatro meses que se seguiram ao rompimento, Kurt escreveu meia dúzia de suas canções mais memoráveis, todas elas sobre Tobi Vail."

(CROSS, Charles R. Mais pesado que o céu: uma biografia de Kurt Cobain. São Paulo: Globo, 2002.)  

2 comentários:

Fernando disse...

Olá Bruno
relacionamentos conturbados geram canções inesquecíveis né. O amor tem o dom de fazer isso, principalmente quando ele não se realiza.
gde abrsss
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Bruno Mello Souza disse...

Verdade, Fernando.

Obrigado pela participação.

Abraços.