sábado, 1 de junho de 2013

Deserto

"A vida é tão linda", alguém tenta me dizer.

Recordando a dor e o perfume do dia que passou.

Sempre tento viver, mas não me ensinaram direito.

E eu jamais aprendi, jamais.

Seria muito mais fácil se houvesse alguma anestesia ao meu alcance.

Algo que me fizesse dormir por anos, e esquecer quem eu sou.

Amanhã será um dia longo demais.

Amanhã nunca chega, e será minha eterna tortura.

Novamente abandonado em meio à escuridão e ao frio.

Sempre ótimo, mas nunca bom o suficiente.

Repetindo o ciclo, repetindo, e repetindo.

Jamais no céu, algumas vezes no inferno, mas sempre no purgatório.

Meu espírito é fumaça que se vai, contaminando o ar feliz de gente que ri sem motivos. 

Estou queimando numa lareira natalina.

Estou abusando da maldita droga que faz meu coração explodir.

Estou tão doente debaixo das cobertas.

E estou insuportavelmente vivo.

4 comentários:

B. disse...

Até a própria vida é um ciclo. Quem somos nós para quebra-lo? Rupturas são extremamente difíceis, ainda mais quando estamos acostumados a viver no ciclo. Mas não são impossíveis. Pense nisso. Talvez encontre uma forma de romper com a sua angústia.

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado pelo comentário, B.

Beijos.

Diego D' Avila disse...

É no deserto que me encontro. No deserto me machuco. No deserto me restabeleço. Nem sei se vivo ou se apenas me arrasto.

Bruno Mello Souza disse...

Fortes palavras, Diegão.

Abraços.