segunda-feira, 24 de junho de 2013

Das belezas ocultas

A garota estava sentada sozinha com seu notebook, como todos os dias.

Ela é diferente demais para um mundo de iguais.

Alguém poderia querer colocá-la numa jaula.

Seres desumanos estão espalhados por aí como uma praga que faz este mundo adoecer.

Se eu fosse ela, eu choraria.

Mas ela sorri.

Se eu fosse ela, eu me lamentaria.

Mas ela mantém um lindo brilho nos olhos.

Se eu fosse ela, eu já teria ido embora.

Mas ela insiste em ficar, ela insiste em viver.

Não, ela nunca será aceita.

Mas é tão bonito vê-la apreciando a vida a seu modo.

A natureza lhe odeia.

Mas ela não faz disso um motivo de tristeza, pois ama sua natureza.

Fiquei feliz com seu riso, com sua alegria em existir, a despeito dos deboches da existência.

Olhares atravessados, de espanto, nojo ou piedade vazia parecem não lhe abalar, e que assim seja sempre.

Ela é um espírito bonito, espírito leve, que supera suas dificuldades com o dom de encarar os dias como se fossem focos de luz.

Não, ela não é medonha.

Medonhas são as almas pobres que não notam a inexplicável e indescritível beleza daquela existência singela e superior.

Não, ela não é uma aberração.

Aberração é a feiura de corações tão rasos que não possuem sensibilidade para discernir o que realmente é importante e maravilhoso em um ser humano.

Ela nunca saberá, mas estive sorrindo com ela.

Ela nunca saberá, mas meus olhos brilharam ao ver o brilho nos olhos dela.

2 comentários:

B. disse...

O grande segredo da vida, é a maneira como cada um a encara, a forma como olhamos, a nossa perspectiva sobre o mundo.

Bruno Mello Souza disse...

Concordo contigo, B.

Beijos.