sábado, 15 de junho de 2013

A dor da existência

Existir dói.

Dor que se disfarça, mas não se esconde.

Ela é a luz que se acende, mas logo se apaga.

Ela é o sorriso que precede a risada.

E quantas risadas viraram gritos de desespero?

A dor da existência é o passo desajeitado que só serve para decepcionar.

É o franco movimento de corpos que se procuram mas não se encontram, nem se entendem.

A dor da existência é o olhar sem foco.

É a alegria que putrefa sem uso no fundo do peito.

É a palavra que rasga, que corta, que mata mais um pouquinho.

A dor da existência é uma canção que não pede piedade ou compreensão.

Ela é o vazio que jamais se preenche, o silêncio que tortura.

A dor da existência é a vontade frustrada, a falta de tato, a falta de ação.

Ela é o medo do amanhã, a nulidade do hoje, o fantasma do ontem.

A dor da existência é o castigo daqueles que não encontraram seu lugar no mundo.

É a angústia daqueles que tentaram, mas nunca aprenderam a viver.

6 comentários:

Diego D' Avila disse...

Me lembrei um pouco de "Avesso" lá no blog. Existir dói pra caramba, principalmente num mundo em que não nos encontramos. Em que sou um "anormal". Abraços Brunão.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelo comentário, Diego!

Abraços.

B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
B. disse...

Seu texto fez com que eu pensasse na dor da depressão, que é justamente, essa dor da existência, essa falta de sentido no existir.

Bruno Mello Souza disse...

Muito obrigado pelo comentário, B. É, é bem por aí, mesmo, tem muito a ver...

Beijo.